Em entrevista, Nicolas Cage fala sobre o novo ‘Tokarev’

Filme tem estreia prevista no Brasil para setembro de 2014 e conta a história de um ex-mafioso que busca vingança

David Villafranca , EFE

26 Junho 2014 | 09h10

A violenta fuga de um homem que clama vingança por sua filha assassinada e que é perseguido por seu passado mafioso é a base de Tokarev, filme protagonizado por Nicolas Cage e dirigido pelo espanhol Paco Cabezas que investiga os segredos e a face oculta das pessoas.

“Se você arranha a superfície de um homem, consegue encontrar suas chaves interiores”, disse Cage em uma entrevista à EFE por telefone. No filme ele é acompanhado por Rachel Nichols, Max Ryan e Danny Glover. Tokarev conta a história de Paul Maguire (Cage), um empresário bem sucedido com uma vida tranquila e familiar que é, porém, uma fachada que oculta um passado cheio de violência, crimes e sangue.

As coisas parecem ir bem ao novo Paul até que um dia sua filha é seqüestrada e assassinada. Ele então retomará seu velho grupo e sua alma assassina para fazer justiça e alcançar vingança. “O público tem que saber que não verá um filme alegre e com gente feliz”, adverte Cage, vencedor do Oscar com Despedida em Las Vegas (1995). “Acredito que Paul tenta fazer as coisas de modo correto, tenta se reinventar”, explica o ator, que ainda acrescenta que o fato da morte da filha faz ressurgir o velho instinto primitivo do personagem.

“Ele volta às origens, volta a ser um assassino”, argumenta. A queda brusca de Paul, que tratou de proteger sua família por todos os meios e apagar o seu lado mais sinistro, desencadeia um espiral de vingança que, paradoxalmente, é motivada pelo amor incondicional por sua filha. “Quando te separam de alguém que você ama, isso pode te levar ao ódio”, disse Cage.

Ainda que Tokarev mostre o fracasso do protagonista em sua tentativa de começar uma nova vida, como se estivesse para sempre condenado por seu passado, Cage considera que é possível empreender um novo rumo depois de uma fase difícil. “Creio ser possível avançar e levantar a cabeça. As pessoas podem renascer, e começar de novo. Mas, às vezes, isso se torna impossível, como é o caso de Paul”, afirma.

Para o ator, o filme é uma história que afeta a um dos assuntos mais controvertidos dos Estados Unidos: a posse de armas de fogo. “Esse é um exemplo de como as coisas podem ir terrivelmente más por causa da vingança”, diz.

Com fenomenais êxitos de bilheterias, como Con Air, Cage se destaca em Hollywood por ser um ator muito habitual nos thrillers, e como em Tokarev as relações pessoais são fundamentais, ele diz ter se dedicado a dar ao personagem a maior verossimilhança possível. “Tento encontrar filmes nos quais posso mostrar o que aprendi na minha vida e experiência”, diz. “Se não posso fazer muito real, nem quero fazer.”

Cage também elogiou o trabalho do diretor espanhol Paco Cabezas (“é alguém com quem eu queria trabalhar”) e sublinhou que ficou atraído por sua direção de Carne de Neón (2010). “É um cineasta jovem que toma riscos para alcançar seus sonhos”, disse Cage.

O ator não esconde sua paixão pela cultura hispânica e sua predisposição a voltar a trabalhar com Cabezas. “Amo o legado da Espanha”, afirma, citando como fontes de inspiração artistas como Greco, Goya, Buñuel e Lorca.

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