Jay Maidment/Disney via AP
Jay Maidment/Disney via AP

Em 'Dumbo', Sai Timóteo e entram Miss Peregrine e as crianças peculiares

Dumbo virou um clássico infantil por sua ‘mensagem’ de aceitação e autoconfiança

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2019 | 03h00

É o melhor Tim Burton em anos. Tem aquela preferência do diretor pelos ‘freaks’ do mundo. Edward produz beleza com suas mãos de tesoura, mas não pode acariciar com elas sua amada. Ed Wood faz os piores filmes do mundo, mas acredita tanto neles que se acha gênio e Burton, numa licença poética, faz com que se encontre com Orson Welles, e conversem de igual para igual. Vem agora Dumbo. O elefantinho com suas orelhas descomunais, o cavaleiro (Colin Farrell) que perdeu o braço na guerra e deixa de ser a atração do circo.

Sai Timóteo, o ratinho da animação da Disney. Dumbo, a versão de 2019, não é um remake do de 1941, mas um ‘reboot’. Uma trama familiar. As crianças peculiares encontram seu novo lar, o circo, e agregam Miss Peregrine, a deslumbrante Eva Green, com sua aura de estrela do passado. Na fantasia de Burton, o circo de Danny DeVito está falido. É comprado pelo capitalista selvagem, o Midas da diversão, Michael Keaton. É um monstro que usa as pessoas. Incorpora o elefantinho voador à sua Dreamland, mas não tem respeito por ninguém, humanos nem animais. Terá a punição que merece.

Dumbo virou um clássico infantil por sua ‘mensagem’ de aceitação e autoconfiança. O direito à diferença. Burton mantém o espírito da fábula – “Voa, Dumbo, vai!”, diz baixinho, em forma de oração, a menina. E o elefantinho voa. Voa para o mundo. O banqueiro não é o vilão da história, mas o mundo de sonho que, na verdade, é uma usina de exploração (do homem pelo homem) não deixa de incluir uma crítica social. Só os puros de coração – Edward, Ed Wood, Dumbo, Colin Farrell merecerão o mundo. A família destroçada será refeita em novas bases, a garota, que quer ser cientista, vai inventar uma nova maneira de olhar o mundo. E Dumbo? Olha o spoiler – é o mais belo fecho que a história poderia ter. Cada um segue seu caminho, mas, se é verdade que os elefantes não esquecem, nós, o público, não esqueceremos Dumbo.

 

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