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Em ‘Círculo de Fogo’, Guillermo Del Toro investe em monstros para falar de relações familiares e autoridade

Não há no filme equilíbrio entre ação e destruição, e os efeitos são um pouco demais, mas é possível se divertir

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2013 | 20h00

Há uma química forte entre Charlie Hunnam e Rinko Kikuchi e, para falar do filme de monstros de Guillermo Del Toro, talvez seja melhor começar pelos humanos. Círculo de Fogo mostra um futuro sombrio para a humanidade. Monstros – kaijus – surgiram do mar e iniciaram a destruição da vida na Terra. Os terráqueos reagiram e criaram os próprios monstros para enfrentá-los. Jaegers são robôs gigantescos e têm a particularidade de ser operados pela mente de dois pilotos, que precisam estar em sintonia. No começo, é a mente de dois irmãos, mas um deles morre e resta Hunnam, que vai fazer par com a bela Rinko.

Os filmes de monstros constituíram-se numa tendência do cinema japonês após a derrota do exército imperial na 2.ª Guerra. A destruição atômica criou a tormenta no imaginário coletivo e surgiram monstros como Godzilla. Ao operar na mente de seus pilotos, Guillermo Del Toro está apontando para o conceito psicanalítico de Círculo de Fogo. É um filme baseado em conflitos familiares. Começa com dois irmãos, depois surge o chefe da equipe de pilotos, que tem uma relação paternal com Rinko, e surgem outros dois pilotos, que são pai e filho.

Talvez seja oportuno destacar que todos os blockbusters de Hollywood neste ano têm tratado de relações familiares. Não pode ser mera coincidência. Outra japonesa, a herdeira a quem Wolverine, no filme que leva seu nome, tenta defender, é agredida pelo próprio pai. O homem de aço, Superman, vive dilacerado entre dois pais. A família tem estado em discussão. Abordar o pai nesses filmes é como querer discutir o conceito de autoridade na ‘América’, num momento em que a interferência do Estado na vida do cidadão está em evidência nos EUA de Obama.

O melhor de todos é O Homem de Aço, de Zack Snyder, que cria uma tragédia familiar tão sólida quanto dilacerante. Em Círculo, existe a química de Hunnam e Rinko, e é gostoso ver a tensão erótica que se cria. Mas não há, como no filme de Snyder, equilíbrio entre ação e destruição. Os efeitos são um pouco demais. Mas é possível se divertir e agora um conselho. Espere até o fim dos créditos. Há uma surpresa, envolvendo um ator fetiche de Del Toro.

CÍRCULO DE FOGO

Título original: Pacific Rim.

Direção: Guillermo Del Toro.

Gênero: Ficção científica (EUA/2013, 131 min.).

Classificação: 12 anos.

Japonês

No período de 9 a 15, às 19h, no Cinemark Santa Cruz, Círculo de Fogo terá sessões dubladas em japonês

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