Lobisomem brasileiro não assusta, mas diverte
Lobisomem brasileiro não assusta, mas diverte

Em cena, mais uma produção do rei do 'terrir'

Ivan Cardoso lança 'Um Lobisomem na Amazônia', o mais novo filme trash nacional

Luiz Zanin Oricchio, de O Estado de S. Paulo,

05 de novembro de 2009 | 16h56

Mulher boa em trajes sumários, trama em tom de deboche e terror trash. Estão aí os ingredientes que valeram ao diretor Ivan Cardoso a fama de "rei do terrir". Terrir? Sim, a palavra-valise sintetiza o que se procura: terror com riso. O horror com humor. Nada mais teen do que essa, digamos, proposta, que tem dado sustento à carreira de Ivan em filmes como O Segredo da Múmia (1982), As Sete Vampiras (1986) e O Escorpião Escarlate (1991).

 

Veja também:

Trailer de "Um Lobisomem na Amazônia"

 

Um Lobisomem na Amazônia segue a mesma linha. Duas amigas (Danielle Winits e Karina Bacchi) fazem parte de um grupo que embarca para a Amazônia em busca de experiência com o Santo Daime. O guia é "interpretado" por Evandro Mesquita, há um delegado (Tony Tornado) e um cientista americano chamado Corman (Nuno Leal Maia). Não poderia faltar o clássico cientista maluco, o dr. Moreau, vivido por um ator espanhol, Paul Naschy. Quem faz seu monstruoso ajudante é o falecido Guará Rodrigues, habitué dos filmes ditos "marginais".

 

Aliás, essa é a família espiritual de Ivan Cardoso, um amigo de Hélio Oiticica e admirador de José Mojica Marins. Ivan tem um livro chamado De Godard a Zé do Caixão - título que, por si só, resume todo um programa de engajamento estético. Disso tudo você conclui que fazer uma crítica mal-humorada do filme seria um equívoco completo. Ivan quer subverter e divertir. E, em boa medida, consegue, levando os clichês do gênero aos limites do absurdo e do bom gosto. Como não rir, por exemplo, quando em plena Amazônia irrompe em cena um inca, interpretado por Sidney Magal? E cantando, ainda por cima?

 

Um Lobisomem na Amazônia (Brasil/ 2006 , 80 min.) - Terror. Dir. Ivan Cardoso. 16 anos. Cotação: Regular

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