Em cartaz, a atriz Laura Linney

O motivo que traz Laura Linney à suíte do hotel The Regency, em Nova York, onde a reportagem do portal Estadao.com.br a aguarda para entrevista, é o thriller O Exorcismo de Emily Rose, que estréia nesta sexta-feira nos cinemas brasileiros. Mas basta a atriz nova-iorquina de 41 anos ouvir o nome de Rodrigo Santoro para suspirar, como se estivesse numa comédia romântica."Eu o adoro. Rodrigo não é apenas lindo, mas doce, gentil, decente e generoso", diz ela, sem disfarçar a admiração pelo ator com quem contracenou em Simplesmente Amor (2003). Laura não se esqueceu do 30.º aniversário do brasileiro, comemorado em 22 de agosto, cumprimentando-o por e-mail na data. "Rodrigo sempre me convida para ir ao Brasil. Um dia eu vou... Ele mora no meu coração." Divulgação/A atriz Laura Linney. Veja trailerA loira de olhos azuis, ar angelical e traços delicados sabe que Santoro é um astro nacional. "Não sei como ele consegue lidar com uma legião de fãs e os paparazzi no Brasil. Não deve ser fácil fazer a coisa certa quando tanta gente observa os nossos passos atentamente", comenta Laura, uma atriz a quem Hollywood sempre recorre quando a personagem exige credibilidade emocional. "Nunca invejei a visibilidade das estrelas de cinema. Talvez por isso não me importe com o tamanho do papel, acumulando tantas coadjuvantes ao longo da carreira. De que adiantaria ser protagonista num filme idiota?", pergunta, abrindo um sorriso.Pessoalmente Laura passa a imagem de uma mulher segura de si, discreta e sossegada. No cinema, por quase sempre imprimir inteligência às personagens que interpreta, construiu uma galeria de mulheres fortes. Como a mãe solteira batalhadora de "Conte Comigo" (2000), que lhe valeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz, e mais recentemente a esposa de um estudioso do sexo de Kinsey - Vamos Falar de Sexo, com a qual foi indicada este ano ao prêmio da Academia na categoria de coadjuvante. Sua última criação nas telas é a advogada de defesa de um padre acusado de matar menina durante exorcismo. O Exorcismo de Emily Rose que estréia nesta sexta-feira nos cinemas conta com a habilidade da atriz para carregar uma história que une dois gêneros aparentemente pouco compatíveis, mas igualmente tensos: o filme de tribunal com o thriller sobrenatural. "Fui atraída ao projeto pela idéia de possessão, na qual eu acredito. Só nunca podemos ter certeza do que se esconde por trás da pessoa possuída. Todos nós temos nossos demônios, independentemente da religião e da cultura", afirma. Por ser uma "incrédula de cabeça aberta", Laura diz entender perfeitamente a advogada Erin Bruner. A personagem inicia o filme interessada apenas em fatos e totalmente cética. Mas, aos poucos, reconsidera suas opiniões, aceitando a possibilidade de manifestações sobrenaturais, numa transição sutil e delicada que só uma atriz talentosa consegue expressar. "Procuro sempre calibrar convincentemente a performance. Mesmo trabalhando em níveis profundos, prefiro mostrar pouco externamente." Adepta do conceito de que "menos é mais" diante da câmera, Laura confia nas nuances e nos detalhes da interpretação, sabendo que o acúmulo de pequenas coisas atingirá o efeito desejado no final. "Atores inseguros querem dar tudo em cada cena, não deixando a performance criar camadas", conta Laura, que atravessa sua melhor fase profissional. Em setembro, ela foi homenageada no 12.º Annual Premiere Women in Hollywood Awards."Nos últimos anos tive a sorte de escolher os filmes pelas razões certas", diz a atriz, também vista em Sobre Meninos e Lobos (2003), A Vida de David Gale (2003) e Segunda Chance (2004). Espontânea, prefere selecionar projetos e personagens de acordo com o momento da sua vida. "Às vezes me sinto pronta para uma experiência intensa. Outras vezes, por estar emocionalmente esgotada, prefiro algo mais leve, que me faça exercitar um músculo diferente." Quando escolheu Simplesmente Amor, Laura vinha de um período delicado na vida pessoal, após assinar os papéis do divórcio, encerrando um casamento de cinco anos com o ator David Adkins. "Rodrigo foi um amor comigo. Como ele vinha do Brasil e eu dos EUA, nos sentíamos estrangeiros na Inglaterra. Então nós nos demos muito bem. Que companheiro maravilhoso...", lembra, derretendo-se mais uma vez.

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