Em Cannes, Rodrigo Santoro defende o cinema brasileiro

Ator responde à crítica de jornalista sobre 'internacionalização' indicando filme de Matheus Nachtergaele

Flávia Guerra, enviada especial a Cannes,

08 de maio de 2015 | 08h00

"Estou muito feliz de estar aqui com dois filmes. É um momento muito especial para o cinema brasileiro e latino-americano. E saiba você que o cinema brasileiro não é todo feito para ser globalizado e internacional. Há muitos filmes que não são feitos pensando no mercado. Um deles, que recomendo a você, é A Festa da Menina Morta, de um grande ator chamado Matheus Nachtergaele. Ele concorre aqui e passa no dia 21 na sessão do Certain Regard. Não perca", disse Rodrigo Santoro nesta quinta-feira, 15, em Cannes.   O ator respondia a um jornalista que, na coletiva de imprensa de seu mais novo filme, Leonera (do argentino Pablo Trapero, diretor de filmes como de Familia Rodante, que concorre a Palma de Ouro), comentou: "Parabéns ao cinema argentino. Diferentemente do cinema mexicano e brasileiro, ainda consegue fazer bons filmes locais e não se render "à internacionalização".   Veja também: Veja galeria de fotos do dia-a-dia do Festival  Acompanhe a cobertura no blog do Merten   'Blindness', de Meirelles, não é fácil, mas intrigante Fernando Meirelles abre Festival de Cannes em grande estilo   Em Leonera, Rodrigo faz o papel de Ramiro, um rapaz apaixonado por Julia (Martina Gusman) que, por amor, acaba cometendo um crime. Ramiro e Julia vão para a prisão. E Julia acaba dando a luz a um menino. "Foi uma preparação interessante. Porque tenho poucas, mas significativas, cenas no filme. Estabelecer a relação entre Ramiro, Julia e um filho menino que nasce em uma prisão em tão pouco tempo na tela foi um desafio muito bom", comentou o ator.   Como explicou Rodrigo, é sobre os primeiros anos de vida do filho que Julia tem na prisão, e de como criar uma criança no ambiente hostil de uma cadeia, que Leonera fala com delicadeza e sem apelar para a pieguice. "Depois que eu tive meu filho, passei a prestar mais atenção a este universo. E quis também falar desta relação, esta ligação única, que só as mulheres têm. A relação entre pai e filho é muito diferente da entre mãe e filho", declarou o diretor argentino, um dos nove realizadores do país que estão exibindo seus filmes em Cannes. "Fico também muito feliz com a boa fase do cinema argentino, latino-americano, e também do brasileiro. É importante ter esta janela para o mundo."   Rodrigo, que também vive Raul (o irmão de Fidel Castro) em Che, super produção de Steven Soderbergh (que será exibido no dia 21), contou que ainda não viu este novo filme, mas que está ansioso. "Ouvi coisas ótimas a respeito. Mas Steven ainda não mostrou para a gente. Vou ver com todos, na sessão para o público", contou o ator, que na quarta-feira à noite prestigiou a festa de Blindness, de Fernando Meirelles.   Após a sessão de gala, que rendeu mais de cinco minutos de aplauso ao filme de abertura do festival, Meirelles e equipe jantaram no Hotel Carlton e receberam os convidados em uma festa na praia. O espaço da Plage do Carlton contou com a presença de Julianne Moore, Alice Braga, Danny Glover, Gael Garcia Bernal e outros. E o filme saiu com gosto de, como observou o jornalista chileno, "cozinha internacional", mas de altíssima qualidade.

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