Em Cannes, o glamour do cinema e da publicidade

O ladrão de jóias aposentado John Robie (Cary Grant), o Gato, com longa e bem-sucedida folha corrida de roubos nos círculos milionários da Riviera Francesa, é o principal suspeito de uma nova onda de furtos na região. Para provar sua inocência, ele decide perseguir, por conta própria, o ladrão que usa técnica idêntica à sua para levar as jóias de hóspedes de hotéis de luxo. Nesse propósito, acaba encontrando Frances Stevens (Grace Kelly), que está em férias na companhia da mãe, uma milionária americana. As jóias da mãe de Frances serão a isca para o ladrão escalar as famosas sacadas do Hotel Carlton, uma das pérolas arquitetônicas de Cannes. O filme é Ladrão de Casaca (To Catch a Thief), de 1955, dirigido por Alfred Hitchcock. E o cenário são as cidades da Côte d?Azur, onde se destacam as francesas Cannes, Nice, Antibes, Saint-Tropez e San Raphael, além do minúsculo reino de Mônaco e da bela Montecarlo. Dentre todas as locações desse clássico do cinema de suspense, o Carlton (00--33-4-9306-4006) é um dos lugares mais explorados. Foi dos seus saguões que Grace Kelly saiu para encantar com sua beleza o príncipe Ranier. Terminado o filme, a atriz virou, um ano depois, a princesa de Mônaco, mas esta é apenas uma das muitas histórias desta região banhada pelo Mediterrâneo. E se a conhecida costa azul ou Riviera Francesa sempre atraiu artistas e milionários, Cannes se fixou no calendário como uma cidade definitivamente cinematográfica. O Carlton e o Palais des Festivals (Palácio dos Festivais) são os epicentros das festas do cinema e da publicidade. A primeira há 58 anos, banha a cidade com holofotes e a segunda entra em sua 53.ª edição neste ano.Cidade respira cinema e publicidadeDe maio até o fim de junho, quando se encerra o Festival Internacional de Publicidade de Cannes, a cidade vive e respira cinema e publicidade. São astros e estrelas na rua, num período que coincide com o início do verão europeu - o que significa preços exorbitantes nos bares da Croisette, a avenida à beira-mar de Cannes, onde se acotovelam milionários e curiosos. Até julho, quando o verão traz dias longos, o visitante pode ver de perto e, por que não, experimentar, o que é o saber viver, o savoir fair dos franceses. Mais que Ferraris, há nas ruas as belas Masseratis, os modelos conversíveis da Mercedes e da BMW e muitas outras preciosidades da indústria automobilística mundial. Os passeios de barcos e iates pela Riviera, partindo de Cannes, bem ao lado do Palais des Festivals, dão mostra da beleza e da ostentação dessa parte do mundo. As caminhadas pela orla e pelas ruas da cidade também são agradáveis. Nelas, é possível encontrar monumentos marcando a rota de Napoleão, pequenas igrejas e o Suquet, um morro com construções medievais. No caminho do Suquet, que o publicitário Nizan Guanaes apelidou de "Pelorin", em referência às famosas ladeiras do Pelourinho, em Salvador, estão perfilados restaurantes de uma antiga colônia de pescadores, carregados de tradição e preços salgados. Alguns deles foram fundados antes mesmo da descoberta do Brasil pelos portugueses. E, na maioria, pode-se comer muito bem. Mas tudo em Cannes é caro e é sempre recomendável conferir o cardápio, pois o chamado menu completo, a preços módicos, nem sempre agrada. São porções, como que para experimentar o que se irá pedir depois. Só que aí, pode ser tarde demais. Outra opção são os bistrôs em ruas menos badaladas, com sugestões bem mais em conta. No final da orla da Croisette, por exemplo, está o La Pizza (00--33-4-9339-2256), que oferece a iguaria italiana a preços razoáveis - meia pizza sai por algo em torno de 7 e 12 euros, uma bagatela perto de outras casas. Para as compras, vale apostar na pequena Rue des Antibes, paralela à Croisette, um aglomerado de sofisticadas lojas de grifes, onde muitos deixam milhões em troca de bolsas, perfumes, vestidos e artigos regionais da Province. Um dos atrativos são as lavandas de Grasse, a cidade que fica a 15 minutos de Cannes e onde se descortinam os azuis campos de lavanda. Nessa cidade, estão os fabricantes das grandes grifes que vendem seus produtos a preços módicos. Só que sem permitir que o consumidor carregue os frascos originais. São frascos que parecem de antigas farmácias, mas o que vale é o cheiro que exalam. Na Fragonard, um dos grandes fabricantes, é possível até fazer teste de melhor fixador para cada tipo de pele. Só que as estações do ano européias são muito diferentes das do Brasil e sempre há alguma frustração entre o que se experimentou lá e o que vai se usar aqui.Cannes é a CroisetteMas Cannes é a Croisette, seus hotéis e suas praias em frente a eles - todas privadas. A entrada na água nesses lugares pode sair cara. Cerca de 10 euros, valor que pode chegar facilmente a 50 euros com o uso de guarda-sol, cadeira e uma cabine. Para quem pode gastar - e esbanjar - é possível se hospedar, com extremo conforto e glamour, nas pérolas hoteleiras da Croisette, como o Carlton, o Majestic e o Martinez (00--33-4-9298-7300). Mas, quem não se dispõe a isso, pode seguir para a Rue de Antibes, onde é possível hospedar-se com menos pompa e a um preço bem mais em conta, muitas vezes a metade. Para economizar ainda mais, o melhor a fazer é ficar em Nice, em hotéis honestos, tipo bed & breakfast, de preferência perto das estações de trem. O percurso entre Nice e Cannes, passando por Antibes, é de 15 minutos. De lá também é possível percorrer toda a Riviera Francesa e sentir-se no coração de um mundo que parece real apenas no cinema. Cannes é uma locação e não faltam atores e atrizes nas suas calçadas.

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