Em Cannes, cineasta turco defende a improvisação no cinema

Nuri Bilge Ceylan está presente na competição oficial com 'Three Monkeys', que tem sido bem recebido

Efe,

08 de maio de 2016 | 13h03

O diretor turco Nuri Bilge Ceylan, presente na competição oficial do 61.º Festival de Cannes com o filme Three Monkeys, que tem sido bem recebido, defendeu nesta sexta-feira, 16, a improvisação e o instinto como forma de fazer cinema.   Veja também: Harrison Ford chega a Cannes para estréia de 'Indiana Jones' Curta brasileiro 'Areia' abre Semana da Crítica de Cannes Dramático e cômico 'Conto de Natal' reúne estrelas em Cannes Veja galeria de fotos do dia-a-dia do Festival  Acompanhe a cobertura no blog do Merten   Teste seus conhecimentos sobre o Festival de Cannes    Em uma coletiva de imprensa, Ceylan explicou que quando prepara um filme, um roteiro, o escreve por inteiro para em breve alterá-lo. "Nunca deixo de pensar. Gravar é como um pesadelo", disse Ceylan, que afirmou que "a tarefa mais importante de um diretor é ver o que está acontecendo. Ver os pontos fracos e encontrá-los", e "se existe o sentimento de que algo não funciona, é preciso reagir porque na montagem será muito difícil".   Ceylan, que já recebeu prêmio especial do júri de Cannes em 2003 por Uzak, indicou que sua forma de trabalhar é primeiro rodar o que diz o roteiro e depois passar para a improvisação "se os atores são bons em improvisação".   Foi isto que o diretor turco fez em Three Monkeys, uma história familiar - como todas até agora na competição oficial - que conta as mentiras em que vivem os membros de uma família.   Igualmente, como todos os outros filmes exibidos no festival até o momento, os atores fazem um extraordinário trabalho, mas neste caso, baseado mais nos olhares do que nos diálogos.   O ator Yavuz Bingol, que interpreta o padre da família, explicou na coletiva que "os olhares são muito importantes em qualquer filme, e no cinema em geral". Hatice Aslan, que interpreta a mãe, concordou com o colega de elenco e afirmou que "o cinema é como a vida, cheio de olhares".   Com uma ausência quase total de música, uma fotografia tão dura como seus protagonistas, e um diálogo dos mais sucintos, o filme toma seu tempo para mostrar a história, que não conta com elementos originais em sua estrutura senão em sua forma de narrar.   Ceylan explicou, por exemplo, que a filmagem da primeira cena do longa, em que um dos personagens atropela uma pessoa que acaba morrendo, custou muito dinheiro e tempo e que, no entanto, na hora de montá-la ele decidiu quase suprimi-la, pois era melhor deixar o acidente na imaginação.   Da mesma forma, duas das cenas mais intensas de Three Monkeys - a discussão do matrimônio e a mulher com seu amante - Ceylan as realizou de forma completamente diferente. A primeira quase em exclusiva, com planos muito curtos e a segunda com uma distante, única e grande tomada. As escolhas de como filmá-las foram feitas no momento da gravação.   Sobre a presença de Istambul no filme, o diretor disse que gosta de trabalhar nessa cidade, mas que se adapta ao lugar e as condições em que deve filmar, assim como se adapta ao roteiro mesmo que chova, caia neve ou em qualquer outra circunstância.

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