EFE
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Em Cannes, Sônia Braga e equipe de 'Aquarius' se manifestam contra impeachment e Dilma agradece

Presidente afastada usou as redes sociais para se manifestar

O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2016 | 12h47

A equipe do filme brasileiro Aquarius, encabeçada pelo diretor Kleber Mendonça Filho e pela atriz Sônia Braga, manifestou-se nesta terça-feira, 17, contra o "golpe de Estado no Brasil", durante a estreia do longa no Festival de Cannes.

"Houve um golpe no Brasil", "Resistiremos" e "Brasil já não é uma democracia" proclamavam alguns dos cartazes exibidos pelo cineasta e sua equipe no tapete vermelho, antes de se manifestar com o grito "Fora!", na sala do Gran Teatro Lumière, minutos antes de iniciada a projeção.

Dilma agradece pelo apoio de artistas em festival de Cannes

A presidente afastada Dilma Rousseff usou as redes sociais para agradecer as manifestações de apoio que recebeu de um grupo de artistas no Festival de Cannes. "Obrigada pelo apoio!", escreveu. Dilma agradeceu nominalmente o diretor filme brasileiro Aquarius, Kleber Mendonça Filho, e as atrizes Sônia Braga Maeve Jinkings. "Obrigada, Kleber Mendonça Filho (@kmendoncafilho), Sonia Braga (@bragasonia) e Maeve Jinkings - o talento do Brasil em Cannes", escreveu. "Ao elenco extraordinário do filme #Aquarius um beijo em nome da democracia. #Cannes2016", tuitou a presidente afastada. 

No tapete vermelho, os artistas levaram cartazes em inglês e francês afirmando que "um golpe aconteceu no Brasil". Desde segunda, 16, vários artistas brasileiros que participam do principal festival mundial do cinema fazem críticas abertas ao afastamento da presidente Dilma Rousseff e ainda o fim do Ministério da Cultura, que foi incorporado ao da Educação. 

Já o cineasta Eryk Rocha, ao apresentar seu documentário 'Cinema Novo' em Cannes Classics, definiu como 'nova interrupção do processo democrático no Brasil." 'Aquarius' foi muito aplaudido na sessão de imprensa, mas nada comparável ao que ocorreu na gala do filme, no Palais. Standing ovation - o público levantou-se e não parava de aplaudir. Na sequência, numa coletiva realizada em seu hotel, o diretor disse que não é mera coincidência o fato de seu filme insistir num posicionamento humanitário, contra a especulação do capital, "no momento em que tudo isso ocorre no País".

O cineasta Kleber Mendonça Filho, de "Aquarius", único representante do País na seleção oficial de longas de Cannes, classificou como "golpe de estado" o afastamento de Dilma. Na TV francesa, não param as imagens de manifestações contra o impeachmente da presidente e Kleber ressaltou a importância de se tomar posição em relação ao que está ocorrendo. Mas ele também comemorou esse momento muito especial que está vivendo com sua equipe em Cannes. "Foi emocionante ver o público se levantar e aplaudir. É um filme muito brasileiro, mas está ressoando no público do mundo todo." Já a atriz Sônia Braga, que atua no longa, afirmou que há a "manipulação da tomada do poder" no País precisa ser exposta ao mundo e ainda pregou o fim da divisão no Brasil. "Assim como as manifestações no tapete vermelho, o filme é um gesto nosso, em defesa do Brasil." (Carla Araújo e Gustavo Porto)

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