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Em 'Cake', Jennifer Aniston enfrenta calvário no papel de mulher depressiva

Aos 46 anos, a atriz norte-americana, queridinha das comédias românticas, arrisca e surpreende o público

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

02 de maio de 2015 | 16h00

Ela tem momentos muito fortes e que vão surpreender seu público em Cake – Uma Razão para Viver. Aos 46 anos, Jennifer Aniston sentiu que não poderia mais ficar fazendo indefinidamente a heroína romântica de comédias. E resolveu arriscar. Além de interpretar, ela coproduz o filme que estreou na quinta-feira, 30, dirigido pelo pouco conhecido Daniel Barnz. É uma personagem difícil, que se torna dependente de drogas por causa das dores físicas que sente. Jennifer não passa somente a impressão de acabada. Move-se com lentidão e os olhos e a boca crispam-se para expressar os momentos dolorosos. Mas ela não exagera. É uma atuação interiorizada, muito boa. Não por acaso, Jen – como a chamam os norte-americanos – foi indicada para o Globo de Ouro, o prêmio do Actors Guild, o Oscar. Não levou nenhum, mas a crítica dos EUA cravou – disse que se trata da atuação que resume uma vida. A lifetime.

 

Jen nasceu em Sherman Oaks, na Califórnia, em 11 de fevereiro de 1969. Em 1990, aos 21 anos, resolveu tentar a sorte na TV. Conseguiu alguns papéis em séries de TV e até filmes, mas não dava sorte. Os filmes não aconteciam, as séries eram canceladas. E foi aí que ela fez teste e foi aprovada para um seriado que fez história – Friends. O curioso é que Jen foi testada para fazer a personagem Monica, mas na última hora os produtores decidiram que ela seria mais adequada como Rachel. Courteney Cox fez Monica, o penteado de Rachel virou o mais copiado pelas mulheres da América, os índices de audiência estouraram e até hoje, em algum lugar do mundo, os velhos episódios estão sempre sendo reprisados. Não apenas Jennifer nem Courteney. David Schwimmer, Matt Le Blanc, Matthew Perry e Lisa Kudrow, todos ficaram famosos, mas Jen ficou ainda mais.

Ganhou prêmios – Emmy, Globo de Ouro e o Actors Guild Award. Emendou filmes – A Razão do Meu Afeto, Como Enlouquecer Seu Chefe, Todo-poderoso, Quero Ficar com Polly, Amigas com Dinheiro, Dizem por Aí, Separados pelo Casamento, Marley & Eu, O Amor Acontece, etc. 

Em 2007, foi listada pela Forbes como uma das dez mulheres mais ricas do show biz, com um patrimônio estimado de US$ 110 milhões. Ficou atrás de Oprah Winfrey, JK Rowling e Madonna, mas à frente de Christina Aguilera e das gêmeas Olsen. Dinheiro, sucesso, beleza, tudo isso ajudou, claro, mas o que tornou Jen mais próxima das mulheres norte-americanas foi seu romance com Brad Pitt. Quer dizer, o fato de haver sido dispensada por ele, que ficou com Angelina Jolie. Ambos formavam o casal 20, e de repente o castelo de Cinderela ruiu. O mais interessante é que a imprensa de celebridades dos EUA segue tecendo histórias sobre isso. No fundo, Brad nunca deixou de amar Jen e vive telefonando para ela, ou se encontrando às escondidas, para desespero de Angelina. Pode até parecer ridículo, mas a aparente dificuldade/infelicidade dos astros e estrelas os humaniza e aproxima do comum dos mortais.

Atriz & diretora. Você sabia? Jen dirigiu um curta elogiado, Room 10, com Robin Wright (ex-Penn) e Kris Kristofferson. Em 2009, festejou seus 40 anos aparecendo nua na revista GQ. “Sinto-me mais saudável e em paz com minha mente e corpo, muito melhor do que quando tinha 20 ou 30 anos.” Pode ser verdade, mas nos últimos anos Jennifer anunciou várias vezes que ia se casar, ter filhos. Os casamentos foram sendo desmarcados em cima da hora. O filho, aparentemente, ficou para trás, ultrapassado pelo relógio biológico. Resta a carreira. O reconhecimento como atriz dramática. Ele veio com Cake. A lifetime. No Oscar, quando seu nome foi anunciado entre as indicadas, Jennifer fez uma cara marota. Sabia que não ia ganhar – todos os indicadores apontavam para Julianne Moore, e ela ganhou por Para Sempre Alice. Jennifer estava lá pro forma. Sabia disso. Mas o aplauso dos colegas foi sincero. No fundo, ela, como Marion Cotillard (pelos irmãos Dardenne, Dois Dias e Uma Noite), poderia ganhar e ninguém iria reclamar.

No filme, uma colega de terapia se mata e Jennifer, que se chama Claire, irrompe na vida do ex-marido dela, Sam Worthington. O cara não consegue nem se ajudar, que dirá ajudá-la. O tom depressivo, os ressentimentos e até o humor, como quando Claire atravessa a fronteira para comprar medicamentos sem receitas no México (e tem ajuda da doméstica, interpretada por Adriana Barraza, concorreu ao Oscar por Babel), tudo isso deixa muito Cake com cara e receituário de produção indie. É bom, mas convém não superestimar. Excepcional mesmo só a atriz. Jennifer Aniston, in a lifetime performance.

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