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Em Berlim, Wim Wenders decepciona em filme de episódios

Longa tem segmentos dirigidos por Robert Redford e o brasileiro Karim Aïnouz

Luiz Carlos Merten , Enviado Especial a Berlim - O Estado de S. Paulo

13 de fevereiro de 2014 | 03h00

É da natureza dos filmes em episódios serem irregulares, mas cada vez mais se realizam experimentos de 3D no formato. A Mostra exibiu no ano passado 3X3-D, com os episódios de Peter Greenaway, Jean-Luc Godard e Edgar Pêra. Berlim apresentou ontem, em Berlinale Special, o mais surpreendente dos filmes da tendência. Se os edifícios pudessem falar, o que diriam?

Wim Wenders, que abre o filme, fez o episódio mais decepcionante, dando voz à Ópera de Berlim. Robert Redford e Margret Olin assinam os melhores: ele sobre o Salk Institute, um templo da ciência na Califórnia, e a cineasta norueguesa sobre a Ópera de Oslo. Também são bons os episódios do brasileiro Karim Aïnouz – na competição deste ano em Berlim com Praia do Futuro –, que enfoca o Centro Georges Pompidou, o Beaubourg, em Paris, e o do dinamarquês Michael Madesen – homônimo do ator –, que escolheu a Prisão Halden. Já o austríaco Michael Glawogger filmou o prédio da Biblioteca Nacional da Rússia, em São Petersburgo.

O filme chama-se Cathedrals of Culture, Catedrais de Cultura, e reflete sobre a cultura humana e a memória coletiva.

Realizou-se ontem um encontro para debater o cinema argentino contemporâneo. Formas de financiamento, mas principalmente temas e a criatividade dos novos autores da Argentina. Pela amostra dos filmes aqui na Berlinale, quem deveria estar realizando esse encontro era o Brasil. Embora o País, em pouco mais de uma década, tenha ganho dois Ursos de Ouro – com Central do Brasil, de Walter Salles, e Tropa de Elite, de José Padilha –, nunca uma seleção brasileira foi tão boa. Quatro longas em diferentes seções – Praia do Futuro, de Karim Aïnouz; Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro; O Homem das Multidões, de Cao Hamburger e Marcelo Gomes; Castanha, de Davi Pretto, mais o episódio de Karim, porque, se a produção é internacional, o cineasta permanece brasileiro –, e todos bons.

Comparativamente, a Argentina está aqui com dois longas na competição e um, Historias de Miedo, de Benjamin Naishtat, é um clone muito piorado de O Som ao Redor – o filme de Kleber Mendonça Filho é outra coisa. O outro representante não chega a ser dez, mas La Tercera Orilla – cujo título internacional, The Third Side of the River, pode sugerir uma adaptação de Guimarães Rosa –, é um filme, não um arremedo, centrado em garoto cujo pai tem duas mulheres. Até a metade, é bom. Depois, começa a ficar esquisito, ao viajar na revolta do protagonista. Em vez de criatividade, o encontro deveria discutir a crise – o que se passa com o cinema argentino?

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