Warner Bros.
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Em ‘Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore’, rivais colocam o mundo em guerra

Terceiro filme da saga é mais lento, mas cheio de magias que vão fazer os fãs de Harry Porter vibrar 

Luiz Carlos Merten , Especial para o Estadão 

14 de abril de 2022 | 05h02

Duas vezes Maria Fernanda Cândido. Estreiam nesta quinta, 14, dois filmes que consolidam a carreira internacional da atriz brasileira. Ela faz a mulher de Tommaso Buscetta no poderoso O Traidor, de Marco Bellocchio - as cenas do julgamento estão entre as melhores que ele já filmou -, e faz a maga que concorre com o sinistro Grindelwald ao posto de dirigente do mundo dos bruxos. Maria Fernanda quase não tem falas, mas marca presença e tem talvez a cena mais bela do novo filme de David Yates

Rememorando - fãs do universo Harry Potter estão cansados de saber que Johnny Depp foi substituído por Mads Mikkelsen como Grindelwald por causa das acusações de que ele batia na mulher, a atriz Amber Heard. Poderosa J.K. Rowling - a criadora de Harry Potter exerce rígido controle sobre sua criação. Tem sido impoluta na defesa das mulheres, e do politicamente correto. 

Os dois primeiros filmes da série com Daniel Radcliffe praticamente passavam os livros para a tela. A franquia começou a ficar mais “cinematográfica” com Alfonso Cuarón - futuro vencedor de dois Oscars de direção - no 3, e depois prosseguiu, cada vez melhor, com Mike Newell e David Yates. 

Existem diferentes maneiras de ver Os Segredos de Dumbledore. Como tiete, e como cinéfilo - por que não? Para quem exige fidelidade, não há problema nenhum em que o filme comece devagar, e tenha um desenvolvimento moroso. Os Segredos de Dumbledore poderia entrar na categoria de filmes parados que Mark Cousins analisa em A História do Cinema - A Nova Geração, exibido no festival É Tudo Verdade. Cousins destaca autores como Apichatpong Weerasethakul e Tsai Ming-liang, cujos filmes possuem um desenvolvimento particular. 

O tempo de uma caminhada, de um olhar. Talvez pudesse acrescentar o David Yates desse filme. A diferença é que Yates está contando uma história que se refere a uma eleição no mundo mágico. 

Polarização

Como no mundo real, aqui fora, há uma polarização entre o candidato do mal e a do bem. Existem não exatamente fake news, mas sucessivas tentativas de intimidação e manipulação do processo por Grindelwald, que ainda por cima controla uma massa de apoiadores. Tentarão atacar os trouxas para provar a superioridade dos bruxos. 

No centro da narrativa está um animal fantástico, além de raríssimo, que possui a qualidade de ler o interior das pessoas. Entre os dois candidatos principais - existe uma terceira via -, só ele pode apontar o melhor. Nasceram dois desses animais. Grindelwald apossa-se de um deles, que manipula. Newt Scamander/Eddie Redmayne passa o filme inteiro tentando proteger, com a ajuda dos amigos que o público conhece, a segurança do gêmeo. 

Quase duas horas de muita trama e pouca agilidade, com certeza por causa do controle de J.K Rowling. A diversidade chega ao mundo dos bruxos com a ligação, íntima e secreta, entre Dumbledore e Grindelwald, isto é, Jude Law e Mads Mikkelsen. Esses dois têm um passado (in?)comum. E, então, ao cabo dessas duas horas, é como se o filme verdadeiramente começasse e o diretor Yates se soltasse das amarras que o limitavam. Ação, humor, suspense e muita fantasia - magia - enquanto Scamander e os amigos, incluindo Dumbledore, tentam levar o animal fantástico até a presença de Santos, a personagem de Maria Fernanda Cândido. 

Os fãs vão amar e até os cinéfilos vão render-se à fragilidade do bichinho que revela a transparência, ou falta de, das pessoas. Dependendo do olhar, pode ser emocionante vê-lo curvar-se perante... Você, instintivamente, já sabe. O filme ainda garante um final dignificante para o Obscurus Credence, uma das figuras mais estranhas no universo de Newt Scamander, franquia derivada de Harry Potter, e bem-sucedida, como tudo que se refere à série.  

 

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