PARIS FILMES
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Em 'A Maldição da Casa Winchester', fantasmas de Helen Mirren não assustam

Mas por pouco não viram paródia na fantasia dos irmãos Spierig

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

05 Março 2018 | 06h00

Há mais chance de o espectador se impressionar e até se assustar com a imagem de Helen Mirren num traje de época, com véus pretos esvoaçantes, do que no filme em que ela aparece assim. A Maldição da Casa Winchester despertou, inicialmente, boa expectativa. Afinal, além da grande atriz – vencedora do Oscar por A Rainha –, o filme foi escrito e correalizado pelos irmãos Michael e Peter Spierig, de Jogos Mortais 8 e O Predestinado. A própria história despertava curiosidade, senão fascínio.

Sua base é real, inspirada na experiência de Sarah Winchester, que construiu a casa do título. Ela existe de verdade, num ponto isolado, mas não muito distante de São Francisco. É considerada a casa mais assombrada do mundo, uma espécie de monstrengo. Durante anos, Sarah construiu a habitação de sete andares e centenas de quartos como um mausoléu para prender os espíritos perversos das vítimas sobre as quais se construiu sua fortuna.

Sarah herdou um império familiar construído sobre a venda de armamentos. Perturbada, espera confinar os espíritos vingativos. Seu objetivo final é salvar a sobrinha, e ela espera contar com a ajuda da ciência. Boa parte do conflito, quando os espíritos não estão aparecendo e a luz piscando – velhas receitas de terror às quais os Spierigs não escapam – se estabelece entre Sarah e o médico interpretado por Jason Clarke. O resultado é pífio, embora possa ser divertido ver uma atriz do porte de Helen interpretar um papel mal-escrito.

Não há densidade, nem na construção da tal maldição, e o filme também não entra no mérito da questão dos armamentos – na ordem do dia após o recente massacre na Flórida. Volta e meia, quando ocorrem essas chacinas na ‘América’, surgem protestos, mas a poderosa Associação do Rifle consegue manter intocada a venda de armas como direito do povo norte-americano à sua proteção. Helen é grande atriz, mas filma demais, e aceita tudo. Red – Aposentados e Perigosos, por exemplo, é comédia de ação. Se os Spierigs não se levassem a sério e tratassem seu filme como paródia, daria para (morrer de) rir com os fantasmas de Helen Mirren, perdão, Sarah.

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