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Em '127 Horas', Danny Boyle narra drama real de aventureiro

Filme que estreia em circuito nacional neste fim de semana concorre a 6 Oscars

Reuters

17 de fevereiro de 2011 | 08h22

É necessário fazer uma distinção entre a história do verdadeiro Aron Ralston e aquela mostrada em 127 Horas, de Danny Boyle, que estreia em circuito nacional e concorre a 6 Oscars - entre eles, melhor filme e ator (James Franco).

O sujeito real é aquele que ficou 127 horas com o braço preso entre duas rochas, num cânion, em Utah, e teve de amputá-lo sozinho para conseguir sobreviver. Uma história que, em 2003, saiu em jornais do mundo todo e, mais tarde, virou um livro de memórias.

Engenheiro por formação, e aventureiro por natureza, Ralston (Franco) passa o final de semana escalando montanhas. Poucos incidentes cruzam o seu caminho: um par de garotas - interpretadas por Kate Mara e Amber Tamblyn - que têm pouca experiência e também estão explorando a mesma região. O filme se ocupa delas por pouco tempo. Os três se divertem numa piscina natural dentro de uma caverna, mas depois o protagonista segue sozinho.

Minutos mais tarde, cai numa fenda e uma rocha desliza por cima dele, prendendo seu braço. Começam então suas 127 horas de agonia. Para retratar isso, Boyle se vale de alguns malabarismos e muita pirotecnia, tentando segurar 90 minutos de um homem contra a natureza. Para criar o filme, o diretor tinha material em que se apoiar - o vídeo-diário que o próprio Ralston manteve naqueles dias, além do próprio sobrevivente para contar a sua história.

Essa é uma trama que beira o existencialismo - o toque de aventura se esvai logo no começo. É a história de um homem no limite que não pode fazer outra coisa para matar o tempo a não ser pensar em sua vida, lembrando-se da infância e dos pais (Treat Williams e Kate Burton).

Mas Boyle é um diretor dado a modernices que não se contenta em narrar. É preciso dividir a tela em três, usar imagens aceleradas e outros rebuscamentos que, no fim, só diluem a força que a narrativa tem a oferecer. Flashbacks ecoam pela mente de um Ralston quase agonizante que, entre uma tentativa e outra de se libertar, pensa na família, nos amigos e em tudo que está perdendo, preso entre duas rochas.

Há dois anos, Boyle ganhou o Oscar de direção com Quem Quer Ser um Milionário? - outra história de um jovem que triunfa contra as adversidades graças ao amor. Sim, porque por mais que esteja enterrado nas entrelinhas, há um componente estranho de romance aqui. Afinal, o protagonista só toma as medidas mais drásticas depois de uma premonição sobre seu futuro caso consiga escapar dali.

O inglês Boyle estreou no cinema em 1994 com Cova Rasa, um filme com uma história bizarra sobre amizade, traições e sangue - quase um conto macabro. Depois veio, em 1996, Trainspotting, um filme que ajudou a sedimentar sua reputação de cineasta indie, de talento e gosto pela subversão - tanto temática quanto narrativa.

Mas, em mais de 15 anos de carreira, o diretor caiu num conformismo, rendendo-se a fórmulas fáceis - como Quem Quer Ser um Milionário? e Caiu do Céu - até veículos para grandes astros - Leonardo Di Caprio, no auge, logo após Titanic, com A Praia. De uma forma ou de outra, Boyle nunca mais esteve à altura do seu começo promissor.

É inegável que há um certo sadismo num filme em que transforma em um espetáculo visual uma amputação a sangue frio. É bem verdade que Boyle não espetaculariza o clímax, mas, nem por isso evita a grandiloquência - especialmente com a trilha de A.R. Rahman - quando finalmente decide transformar Ralston numa espécie de herói involuntário, que passa a valorizar a vida depois de ter chegado perto da morte. (Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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