REUTERS/Mario Anzuoni
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Elizabeth Taylor: dez anos de saudades

Liz Taylor filmou muito - tem 79 créditos como atriz. E fez parte do elenco de alguns filmes que ela ajudou a se tornarem grandes. Mas, sua trajetória foi tão rica no cinema quanto tumultuada na vida pessoal

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2021 | 08h00


Há dez anos Liz Taylor nos deixava. Mas como esquecer aqueles olhos azul-violeta que fizeram dela a mais bela Cleópatra da história do cinema? 

Nascida em Londres, em 27 de fevereiro de 1932, ainda criança Elizabeth Rosemond Taylor se mudou, com a família, para os Estados Unidos. Ela tinha oito anos quando em 1940 a família deixou a Europa para se livrar da guerra que já começava a devastar o continente. Como foram para a Califórnia, era quase natural que a linda garota inglesa, de cabelos negros e "aqueles" olhos, chamasse a atenção do pessoal do cinema. Descoberta por um caçador de talentos, ela estreou, aos 11 anos, em A Força do Coração, num filme cuja estrela era a cadela Lassie



Liz escapou à sina de muitos talentos infantis e conseguiu dar seguimento à carreira ao tornar-se adulta. Filmou muito - tem 79 créditos como atriz. E fez parte do elenco de alguns filmes que ela ajudou a se tornarem grandes. Ganhou dois Oscars de melhor atriz,  em 1961 com Disque Butterfield 8 e, em 1967, com Quem Tem Medo de Virginia Woolf? .

Sua trajetória foi tão rica no cinema quanto tumultuada na vida pessoal. Seus múltiplos casamentos e separações, com brigas públicas e problemas com drogas e álcool, a tornaram foco de atenção permanente dos paparazzi. 



Desses casamentos, oito no total, o mais notável foi com o ator Richard Burton, que ela conheceu em 1963 na Itália quando foi estrear Cleópatra. Os dois eram casados. Ambos se divorciaram dos respectivos cônjuges para ficarem juntos. Entre brigas, separações e reconciliações cinematográficas, o casamento durou até 1974, quando romperam. Mas a separação não deu certo e foi anulada para que se unissem de novo, um ano depois, na África do Sul. Este casamento 2.0 durou apenas nove meses. Mas não importa: enquanto estiveram juntos fizeram nada menos que nove filmes. Entre eles, o já citado e notável Quem tem Medo de Virginia Woolf?, de Mike Nichols, no qual, vejam só, interpretam, sem grande dificuldade, um casal autodestrutivo. O filme, baseado na peça de Edward Albee, é mesmo espetacular e Liz mereceu o Oscar, sua segunda estatueta de melhor atriz. 



A primeira ela havia recebido por Disque Butterfield 8 (1960), de Daniel Mann, adaptado de um livro de John O'Hara. Interpreta Gloria, prostituta de luxo que se apaixona por um homem casado. Está ótima, mas o folclore de Hollywood sustenta que seria um prêmio de compensação por ter sido preterida dois anos antes, quando deveria ter ficado com a estatueta por sua performance em Gata em Teto de Zinco Quente, texto de Tennessee Williams dirigido por Richard Brooks. Acontece que Liz havia sido pivô de um grande escândalo ao se casar com Eddie Fisher, "tirando-o" de sua amiga Debbie Reynolds, uma queridinha de Hollywood. Liz ficou com fama de destruidora de lares, mas a Academia teve de se render ao seu talento e conceder-lhe o prêmio por Butterfield 8.


 


Apesar dessas premiações, Liz dizia que seus filmes favoritos foram feitos sob direção de George Stevens - Lugar ao Sol (1951) e Assim Caminha a Humanidade (1956). São, de fato, belos trabalhos de uma atriz ainda bastante jovem, mas que mostrava personalidade na tela grande. Ótimo também é Pecado de Todos Nós, direção de John Huston, em que ela contracena com Marlon Brando

Com Joseph Mankiewicz (irmão de Herman Mankiewicz, roteirista de Cidadão Kane e "herói" de Mank, filme da Netflix com 10 indicações ao Oscar), além de Cleópatra, fez De Repente no Último Verão (1959). Uma história soturna, em que uma jovem socialite fica traumatizada pela morte de um primo e corre o risco de ser lobotomizada. O roteiro é de uma dupla da pesada: Gore Vidal e Tennessee Williams. 

Ao que parece, o talento explosivo de Liz tumultuava demais sua vida pessoal. Fazia filmes difíceis, com papéis que exigiam mergulho profundo em seus fantasmas pessoais. Talvez por isso tenha decidido, no auge da carreira, tornar-se uma luxuosa dona de casa ao se unir a um senador norte-americano, John Warner, em 1976. Mas em 1980 decidiu iniciar uma carreira no teatro com textos de prestígio, como The Little Fox, de Lillian Hellman, e Private Lives, de Noel Coward. Consta que fizeram sucesso. 

 


Nos últimos anos, Liz trabalhou em telefilmes que nada são em comparação às obras dos seus anos dourados. Ativa e libertária,  dedicou-se à filantropia e liderou campanhas de combate à aids, no tempo em que essa doença era ainda um estigma aos olhos de moralistas. Deixa uma imagem indelével, que magnetiza o espectador.

Maggie Pollitt em Gata em Teto de Zinco Quente, e Martha em Quem tem Medo de Virginia Woolf? são papéis para a história do cinema. Liz Taylor projetou-se neles, em profundidade e sem rede de segurança. Pequenina, 1m57 de altura, virava gigante na tela.

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