Eletrizante, Código da Vinci começa espetacularmente

Maior evento de cinema de arte do mundo, o Festival de Cannes volta e meia curva-se à força do cinemão, leia-se Hollywood, para manter seu glamour. O Código da Vinci inicia amanhã a 59.ª edição do evento, mas agora à noite já houve uma primeira exibição de O Código da Vinci, o aguardado filme que Ron Howard adaptou do best-seller de Dan Brown. A pergunta que não quer calar e que você deve estar se fazendo é - o filme é bom? Quem leu o livro famoso não ficará decepcionado, pois tudo o que foi mudado teve a aquiescência do escritor, que vendeu os direitos por US$ 6 milhões, mas também exigiu direito de aprovação do roteiro e de opinar na própria realização. O diretor, por conta disso, gosta de dizer que o Código da Vinci, o filme, é a versão atualizada do livro, mas atualizada pelo próprio Dan Brown.Começa espetacularmente. A primeira hora é uma lição de cinema narrativo que chega a surpreender, pois Howard, embora premiado com um Oscar da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood por Uma Mente Brilhante, não é exatamente um grande cineasta. Mas ele narra muito bem o início da aventura que leva o especialista em símbolos Robert Langdon a investigar, com a ajuda de uma criptóloga francesa, Sophie, o que no início é simplesmente um assassinato, mas logo se revela uma trama rocambolesca envolvendo a Igreja Católica e a maior história de todos os tempos. Os leitores do livro sabem que Dan Brown reescreveu, à sua forma, o Evangelho, para atacar a Igreja Católica, que segundo ele, teria escondido durante 2 mil anos o segredo de que Cristo não apenas se deitou com Maria Madalena, como teve com ela uma filha. A primeira hora é eletrizante, mas não há como esconder certa decepção. À medida que a narrativa se desenvolve o desfecho chega a uma certa banalização. O certo é que o grande público, com certeza, será levado a se envolver e até a se emocionar com a Teoria de Conspiração descrita por Brown e Howard. E uma coisa é certa, embora Tom Hanks seja o nome estelar no elenco de O Código da Vinci - ele recebeu US$ 20 milhões, mais percentagem na bilheteria, para fazer o papel de Langdon - muito bem secundado por Audrey Tautou, a grande figura em cena é Paul Bettany como o monge fanático da Opus Dei, Silas. Não é segredo nenhum que ele morre antes do desfecho. Com a morte de Silas, boa parte do fascínio de O Código da Vinci, como thriller, termina se dissipando. Vendas antecipadas de ingressos já chegam perto de 20 milO Código da Vinci estréia em todo o mundo na próxima sexta-feira. No Brasil, vai ocupar mais de 500 salas de cinema. O filme de Ron Howard é baseado no livro de Dan Brown que vendeu em todo o mundo mais de 45 milhões de exemplares, segundo cálculos do The New York Times. Aqui, vendeu mais de 1,1 milhão de exemplares, segundo a editora Sextante, que publica a obra do autor no Brasil. Seus títulos por aqui já superaram a marca dos 2 milhões de exemplares vendidos.O filme, que tem causado polêmica em todo o mundo por questionar a história da religião Católica, chega ao Brasil com advertência da CNBB para que os fiéis evitem a fita. Mesmo assim, o público está correndo para garantir sua poltrona no cinema. A venda antecipada de ingressos já beira os 20 mil. Pela internet, as vendas crescem a cada dia. Até as 12 horas de hoje, o site www.ingresso.com.br já havia vendido mais de 7,3 mil ingressos antecipados. Em São Paulo, alguns shoppings anunciam ingressos esgotados para as sessões das 21h30 na sexta-feira, segunda, terça e quinta, como é o caso do Unibanco Arteplex do Shopping Frei Caneca. Nos mesmos dias os cinemas do Shopping Morumbi já venderam todos os bilhetes para as sessões das 20 horas, e no Shopping Iguatemi não há mais entradas para as sessões de sexta, às 18h40 e 22h, sábado idem e domingo, às 15h30. A Rede Cinemark informa que já vendeu 11.900 ingressos em 22 de seus cinemas, com destaque para os localizados nos Shoppings Santa Cruz, Market Place, Center Norte, Higienópolis, Villa-Lobos, todos superando a marca dos 300 ingressos vendidos, e Iguatemi, com mais de mil bilhetes vendidos.

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