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'Eles Não Usam Black-Tie' revive o calor das lutas sindicais nos anos da ditadura

Peça foi encenada pela primeira vez em 1958, mas com as lutas sindicais do ABC ganhou nova atualidade

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2018 | 06h00

Em 1981, Leon Hirszman levou para o cinema a peça Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri. O próprio Guarnieri vive Otávio, o velho líder sindical, que amargou cadeia no passado por suas convicções políticas e seu ativismo. Ele é casado com Romana (Fernanda Montenegro) e tem um filho, Tião (Carlos Alberto Riccelli), mais preocupado com sua família e consigo mesmo do que com as lutas sociais. 

O texto de Guarnieri ganhou atualidade com as greves do ABC, ocorridas no final dos anos 1970, as primeiras desde a instauração da ditadura militar. Vistas em retrospecto, foram um dos mais poderosos fatores de desestabilização de um regime tido como inexpugnável. 

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O filme, no entanto, prefigura, no conflito entre o pai engajado e o filho individualista, algo mais, que estava por vir, mas já se sentia no ar. Com o fim da união em torno da redemocratização, as forças de oposição iriam se pulverizar e cada qual tomaria seu caminho. E mais: o engajamento político deixava de ser consensual entre as novas gerações. 

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