Joe Lederer/20th Century Fox/NYT
Joe Lederer/20th Century Fox/NYT

Elenco vibrou com Robin Williams após cena final de 'Uma Noite no Museu 3'

Ator morreu em agosto de 2014

Michael Cieply - THE NEW YORK TIMES, O Estado de S. Paulo

01 Janeiro 2015 | 03h00

LOS ANGELES - Depois de terminar a filmagem da última cena de Robin Williams em Uma Noite no Museu 3 - O Segredo da Tumba, em maio, o diretor do filme, Shawn Levy, se juntou a Ben Stiller, astro principal, num tributo a Williams em pleno set de filmagem. A equipe respondeu com uma ovação. Registrados em vídeo, os aplausos duram dois minutos.

“Foi a última cena do último filme dele”, disse Levy, que descreveu o momento em entrevista concedida no terreno da 20th Century Fox em Los Angeles no mês passado. “Não sabíamos que seria o fim do trabalho de Williams no cinema, mas sabíamos que seria o fim da série.”

Esta é a terceira e última parte de uma série cômica que surpreendeu até os produtores com sua longevidade e apelo internacional. O filme original, dirigido por Levy e também estrelado por Stiller, estreou em 2006 e teve bilheteria de US$ 30,4 milhões no primeiro final de semana. O filme chegou a arrecadar mais de US$ 250 milhões nos cinemas americanos - algo notável num setor em que os sucessos costumam conseguir mais de 40% de sua renda nos primeiros dias após a estreia.


Indagado a respeito das bilheterias dos filmes da série Uma Noite no Museu, Paul Hanneman, copresidente da Fox para marketing e distribuição global, disse: “sucesso em todo o mundo”. Juntos, os dois primeiros filmes tiveram bilheteria global de aproximadamente US$ 1 bilhão. O copresidente de Hanneman, Tomas Jegeus, disse que a bilheteria talvez tenha sido fraca na China, mas o país deve se mostrar mais receptivo dessa vez, com o público reagindo bem às comédias.

As expressivas bilheterias no exterior devem muito ao estratagema usado por Levy e Stiller na construção da série, adaptada inicialmente a partir de um roteiro de Robert Ben Garant e Thomas Lennon, e de um livro de Milan Trenc. Desde o início, eles usaram a história receptiva aos efeitos especiais - a respeito de atrações de um museu que ganham vida - para estrelar atores conhecidos em papéis que mais pareciam quadros cômicos individuais do que uma participação especial nos moldes tradicionais. “Não foi uma questão de nomes, mas de talentos”, disse Stiller por e-mail.

Uma Noite no Museu 3 conta com as atuações de Ricky Gervais, Owen Wilson, Steve Coogan, Dick Van Dyke, Rebel Wilson, Ben Kingsley e uma aparição supresa de destaque de Mickey Rooney, morto este ano. “O maior prêmio para um diretor é poder contar com um grande e variado elenco de nomes de peso; saber intuitivamente como será a química entre os atores”, disse Kingsley, também por e-mail.

Nesse caso, os atores basicamente desenvolveram sua química ao redor de Williams, que cometeu suicídio em agosto, quando Levy concluía a primeira montagem do filme.

Assim como ocorreu com Heath Ledger, cuja morte em 2008 abalou a produção de O Cavaleiro das Trevas, da Warner, filme no qual ele interpretava o Coringa, Williams emergiu como óbvio ator coadjuvante de Uma Noite… 3, com o nome logo em seguida ao de Stiller.

Depois de trabalhar durante três semanas no primeiro Uma Noite no Museu e por uma semana no segundo longa, Williams dedicou três meses à terceira parte, filmando em Londres e Vancouver.

O personagem dele, um ousado Teddy Roosevelt pistoleiro, se converteu naquilo que Levy chama de “alma da série”, uma figura paterna presidencial que mantém certa coerência com os homens das cavernas, gladiadores, dinossauros e caubóis que também habitam o filme.

“Ei, veja só onde estamos e o que vamos fazer”, teria dito um exultante Williams a Levy enquanto o grupo passava uma semana filmando no British Museum, em Londres. “Ele adorava o papel, podemos ver isso nas imagens dos bastidores”, disse Gervais, falando ao telefone desde Londres. 

Diante da difícil tarefa de trabalhar com a participação de Williams no filme sem explorá-la, Levy preferiu manter a montagem intacta. Apenas duas frases foram cortadas das cenas com Williams, pois, de acordo com Levy, soavam “demasiadamente sombrias” no contexto do posterior suicídio do ator. Mas o diretor não revelou quais seriam essas frases.

Há duas outras interpretações de Williams que conheceremos postumamente. Ele interpretou o papel principal em A Merry Friggin’ Christmas, filme independente rodado em 2013, lançado no mês passado num pequeno número de salas, e fez a dublagem de Absolutely Anything, dirigido por Terry Jones, ainda não lançado nos EUA. A Fox não demonstrou constrangimento em explorar a imagem de Williams; ele aparece com destaque no trailer do filme, por exemplo. No longa, sua principal cena envolve um mergulho pelos labirínticos túneis de uma tela de M. C. Escher. Filmado contra um fundo verde para permitir o uso de efeitos gerados por computador, a cena foi planejada durante cinco meses.

Junto com a Fox, Levy já tinha decidido que Uma Noite… 3 seria a despedida da série, permitindo que todos os envolvidos cheguem ao fim no seu auge. E essa temática de despedida, perceptível em todo o filme, deixou Williams com algumas cenas de “adeus”, em sua maioria escritas antes da morte dele, que talvez possam provocar mais lágrimas do que o habitual para uma comédia do tipo.

Entre essas cenas há uma última continência montado sobre o cavalo. Além disso, algumas palavras foram acrescentadas aos créditos finais. Levy disse que pensou nas últimas linhas num momento de insônia. “Em homenagem a Mickey Rooney”, diz o letreiro. “E para Robin Williams: a magia nunca termina.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

UMA NOITE NO MUSEU 3 - O SEGREDO DA TUMBA

Direção: Shawn Levy.

Gênero: Fantasia (EUA/2014, 98 minutos)

Classificação: Livre

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