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Elenco de 'Trapaça' vai a Berlim, de olho no Oscar

Diretor David O. Russell diz que se interessa por personagens que 'vivem com paixão'

Luiz Carlos Merten, Enviado Especial / Berlim

07 de fevereiro de 2014 | 22h49

Quantas vezes os personasgens de Martin Scorsese repetem o palavrã impublícável em O Lobo de Wall Street? Dezenas de vezes? Centenas? Quase tantas David O. Russell utiliza outra palavra - humanos - para definir os trapaceiros cujas histórias estão no centro de American Hustle/Trapaça. Russell e parte de sua equipe - Christian Bale e Bradley Cooper -, todos indicados para o Oscar, vieram a Berlim para prestigiar a exibição do filme em Berlinale Special. O diretor repetiu o que já dissera em outra coletiva, em Nova York, em dezembro.

O que o atraiu na história (real) de Trapaça foi a possibilidade de colocar na tela personagens com o pé na reaolidade - humanos, como ele não se cansa de dizer. Christian (Bale), no filme, tem duas mulherres a quem ama. "O que me atrai é mostrar essas figuras que vivem e agem com paixão, que colocam sentimento em tudo o que fazem." O próprio Cristian Bale praticamente lançou um desafio à platéia de joprnalistas - "Não somos só nós, atores. Todo mundo nessa sala cria uma persona e vive de acordo com ela. Nunca conheci uma pessoa de quem pudesse dizer que não possuia segredos para mim. Todos temos zonas que permanecem secretas, sombrias. O que David (O. Russell) gosta de fazer é revelar a intimidade desconhecida de todos nós."

Quem já viu o filme que estreou ontem no Brasil por certo surpreendeu-se com a barriga de Christian Bale ou com o cabelo crespo de Bradley Cooper, que chega a usar bobs em cena. "A barriga e a careca de Christian são as do personagem da história real. Chegou um momento em que era preciso mostrar como esse homem, aparentemente em má forma, conseguia ser mesmo asssim sedutor para seus clientes e suas mulheres", explicou o diretor. "Meu personagem cria uma persona para si mesmo, como Christian já falou. Era importante surpreender o público, que as pessoas não me vissem como sou", refletiu Cooper.

Uma arte do disfarce? "Acho que o maior elogio que se pode fazer a um ator veio de Robert De Niro, para Christian. No set, Bob me perguntou - quem é aquele cara? - e apontou para Christian. Bob, que mudou tantas vezes para servir aos personagens, não reconheceu Christian. São essas coisas que me deixam feliz. Faco cinema para me surpreender e surpreender os outros, para buscar, nos atores, coisas que nem eles sabem que tem para dar. É uma arte da descoberta. Cada filme torna-se uma aventura em si mesmo."

A passagem de O.Russell - e Bale, e Cooper - pela Berlinale busca mais uma vitrine para a promoção internacional de Trapaça. Mas tambem é o reconhecimento de que a Berlinale tem pavimentado o caminho para muitos concorrentes ao Oscar. Ontem, na revista diária que edita durante o festival, The Hollywood Reporter saudou o sucesso das produções independentes - muitas com aporte de capital europeu - que dão as cartas no Oscar deste ano. Trapaça, apesar do apoio de um grande estúdio, é obra de independemntes. Como O Lobo, de Scorsese. Em todo o mundo, O Lobo está sendo apresentados por distribuidores locais, independentes. Neste fim de semana, o filme deve bater A Ilha do Medo e se converter no maior sucesso da carreira de Scorsese. Tudo isso tem estado em debate na Berlinale.

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