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'Elena' chega aos Estados Unidos com campanha pela saúde mental

Documentário estreia em Nova York nesta sexta-feira

Cláudia Trevisan, Washington - O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2014 | 02h10

Vinte e quatro anos depois de sua morte, Elena volta a Nova York, a cidade onde cometeu suicídio com uma overdose de aspirinas e cachaça. Desta vez, seu talento será abençoado pelo ator Tim Robbins e o diretor Fernando Meirelles, "padrinhos" do lançamento do filme homônimo nos Estados Unidos.

"É uma realização ver a Elena tomando a tela de um cinema em Nova York, a arte que ela não conseguiu expressar quando viveu na cidade", diz a irmã da atriz, a diretora Petra Costa. Sua batalha para conseguir lançar o filme em Nova York começou há um ano e a colocou diante de muitos dos obstáculos.

Chegar ao mercado é difícil para qualquer filme independente. O caminho é ainda mais inóspito para um título brasileiro que trata de um tema tabu de maneira pessoal. Para completar, ele não se encaixa facilmente nas classificações tradicionais de documentário ou ficção.

"Amo Nova York, mas só estando aqui agora como uma aspirante a artista é que eu entendo o nível de agressividade da cidade", observa Petra, que tinha 7 anos quando sua irmã se intoxicou no apartamento onde ambas viviam com a mãe, Li An, na rua 76, no Upper West Side.

Treze anos mais tarde, a diretora seguiu os caminhos de Elena e foi estudar teatro em Nova York. Acabou se formando em Antropologia, em 2006. Mais uma vez de volta à cidade, ela acompanhará na terça-feira a pré-estreia de seu filme no Tribeca Grand Hotel, durante a qual será lançada uma campanha de arrecadação de fundos para instituições que tratam de saúde mental, em parceria com a fundação do diretor David Lynch.

Elena entra em cartaz na sexta-feira no IFC, um dos principais cinemas para filmes independentes em Nova York. A receita dos primeiros três dias irá para a Fundação David Lynch, o Movimento Samaritanos, que é uma das maiores organizações internacionais dedicadas à prevenção do suicídio, e a National Alliance for Mental Illness.

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No dia 5 de junho, Elena terá sua pré-estreia em Los Angeles com a participação do ator Tim Robbins, que gravou um vídeo com Fernando Meirelles, no qual ambos explicam que apoiam a exibição. O filme será lançado em pelo menos mais seis cidades americanas.

Antes de chegar às telas, ele foi apresentado em universidades como Princeton e Harvard, em eventos que tiveram a curadoria de Moara Passoni, coprodutora de Elena.

A ideia de levar o filme aos EUA habitava a mente de Petra desde o início do projeto. Além de voltar com a obra à cidade onde Elena morreu, ela pretendia usar o filme para estimular o debate sobre a depressão e o suicídio e enfatizar a necessidade de "transformar o sofrimento em expressão".

Robbins viu o filme em DVD um mês depois do Festival de Berlim do ano passado e tomou a iniciativa de escrever a Petra para elogiar Elena e dizer que gostaria de ajudar no seu lançamento no mercado americano.

Desde os anos 90, cerca de 20 filmes brasileiros chegaram às telas de cinemas comerciais nos EUA. Desses, apenas três eram documentários: Dzi Croquetes, Ônibus 174 e Lixo Extraordinário. Enquanto trabalha na promoção do filme nos EUA, Petra festeja seu lançamento em DVD no Brasil, previsto para o dia 1.º de junho.

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