'Ela' não fala de tecnologia, mas da dificuldade de criar intimidade', diz Spike Jonze

Diretor do longa indicado ao Oscar 2014 diz que não quer que público tenha visão equivocada do longa

Alicia G. Arribas, EFE

24 de fevereiro de 2014 | 15h14

Spike Jonze é considerado um cineasta cult. Nesta edição do Oscar 2014, ele concorre com Ela, em que retrata um homem com problemas para se relacionar com as pessoas à sua volta. É impossível ser feliz sozinho. "Eu quero me aprofundar na dificuldade de ter intimidade com o outro", explica o diretor. A única solução encontrada pelo personagem é na voz de um sistema operacional ultrainteligente que fala com ele pelo computador e pelo celular. Uma inteligência artificial designada para se adaptar a ele. Não deixa de ser um lado de si mesmo.

 

No primeiro filme de Jonze, Quero ser John Malkovich, o cineasta conseguiu colocar o espectador na cabeça do venerado ator norte-americano, e isso pode até ser uma aproximação futurista para tornar possível que, agora, seu novo protagonista se apaixone pelo sistema operacional.

"Por uma perspectiva, temos duas pessoas tentando se conectar, mas acontece que uma de delas não passa de uma voz." O filme concorre a cinco estatuetas, incluindo a de melhor filme.

Apesar de esta ser a sinopse, o que há por trás de tudo é uma história de amor e solidão que desnuda a incapacidade de um "Peter Pan" trintão incapaz de saber o que é abrir seu coração e compartilhar sua vida.

"Não quero que tenham uma visão equivocada do filme e achem que ele fala apenas dos avanços tecnológicos, mas, na realidade, é um texto sobre o amor, os relacionamentos e a intimidade", detalha.

Ele explica que a ambientação futurista e uma tecnologia que está ao alcance de todos e é tão presente na vida cotidiana mundial é algo apenas superficial, de contexto. "Poderia se passar agora mesmo, não me importa quando ou onde a história acontece. Quero explicar o desejo do ser humano de encontrar intimidade com outras pessoas. Gravidade, de Alfonso Cuarón, por exemplo, se passa no espaço, e Ela, num mundo tecnológico. Nenhum desses ambientes são imprescindíveis para contarmos as histórias humanas que queremos contar."

Em Ela, a voz de Scarlett Johansson é a da sexy e eficiente Samantha, o programa de computador feito para desenvolver empatia com os usuários. Funciona tão bem que Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) encontra nela uma alma gêmea, a cúmplice perfeita para elaborar seu casamento frustrado com Catherine (Rooney Mara).

 

Atrevimento. Com seu nome de batismo, Adam Spiegel, Jonze faz a dublagem do divertido alienígena do videogame com que se distrai Theodore em sua casa. O diretor também tem fama de atrevido, coisa que ele diz que ficou no passado. Parte desses rumores estão no começo de sua carreira, como um dos fundadores do programa televisivo Jackass.

Depois de muitos trabalhos musicais para artistas como Björk e R.E.M., e de assinar videoclipes como Sabotage, dos Beastie Boys, ou Weapon of Choice, do Fatboy Slim, Jonce fez Adaptação e Onde Vivem os Monstros, filmes que levou anos para finalizar, não só porque goste de meditar sobre seus projetos.

"Gosto de fazer coisas intercaladas. Escrevi e produzi Jackass 3 e também uma história menor, que se chama Robots Story... É preciso tanto tempo para terminar um longa que só consigo acabar se tiver muita vontade de terminar, então vou fazendo com calma", explicou.

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