Efeitos são a marca de "O Coronel e o Lobisomem"

Foram 11 meses, 14 mil horas de trabalho de 42 artistas de composição, animação, motion-design, desenho de concepção, modelagem, matte-paint. Tudo isso para levar ao cinema a saga de Ponciano de Azeredo Furtado, o protagonista do longa-metragem O Coronel e o Lobisomem. A brincadeira custou R$ 1 milhão e permitiu que personagens fantásticos como sereias, lobisomem e cachorros selvagens, ganhassem veracidade na telona. O resultado chega aos cinemas em sete de outubro e o público vai poder conferir finalmente estes efeitos que fazem do longa um caso único no cinema nacional. ?Quando acabamos de montar O Coronel e o Lobisomem eu brinquei que nunca mais queria fazer um filme com efeitos especiais tamanho foi o trabalho?, comentou ontem a produtora Paula Lavigne, em entrevista após a primeira sessão do filme para a imprensa, à qual estava presente uma verdadeira comitiva, que contou com Selton Mello, Ana Paula Arósio (que faz seu primeiro papel no cinema - antes só havia feito pontas), Diogo Vilela, Pedro Paulo Rangel, Guel Arraes, Maurício Farias, Caetano Veloso, Milton Nascimento, entre outros. O elenco destacou que os efeitos são mais do que necessários para a história, mas exigiu concentração e esforço extras. ?Se eu disser que fazer o lobisomem foi divertido vou estar mentindo. Não era nada legal ficar com uma roupa laranja no estilo ?tartaruga ninja? pulando sobre uma mesa para que o pessoal dos efeitos pudesse trabalhar?, brincou Selton Mello. Diogo Vilela destacou as inúmeras cenas em que teve de contracenar com um fundo azul, o chroma-key, e Ana Paula Arósio brincou sobre a ?calça chroma-key? que teve de usar para que, em seguida, fosse inserido o rabo de sereia de sua personagem. ?Apesar de tornar a cena fria, este recurso é muito usado na televisão, com que estou muito acostumado, e não atrapalhou a atuação do elenco. Eles conseguiram driblar bem a dificuldade?, comentou o diretor Maurício Farias (de A Grande Família), que faz sua estréia no cinema. Inspirado na obra homônima de José Cândido de Carvalho, o filme pode ser definido como uma ?uma comédia fantástica?, no melhor estilo Peixe Grande, de Tim Burton. Diogo Vilela é Ponciano Furtado, coronel de patente e fazendeiro por herança. Seu irmão de criação, Pernambuco Nogueira (Selton Mello), quer tomar as terras da Fazenda Sobradinho e conquistar o coração de sua prima Esmeraldina (Ana Paula Arósio), paixão de Ponciano. Para vencer essa guerra, Ponciano enfrenta feras imensas, experimenta a vida boêmia na cidade, e, por fim, usa toda a sua artimanha para desencantar assombrações. ?É uma tradição literária e brasileira, o que chamo de filme popular de qualidade, como gosto sempre de apostar. O popular não é necessariamente sinônimo de breguice e rende histórias lindas?, defendeu Paula Lavigne. Guel Arraes, responsável pela idéia original e co-roteirista ao lado de Jorge Furtado e João Falcão, completou: ?O filme faz parte de uma grande série de adaptações de grandes clássicos brasileiros, que começou com O Auto da Compadecida e continuou com Lisbela e o Prisioneiro. É o que chamamos de Cinema Popular Brasileiro.?Apesar de fechar a trilogia, O Coronel e o Lobisomem tem um ritmo diferente dos dois longas que o precederam. A narrativa, como apontado pelo próprio Arraes, não é a da comédia rasgada que costuma marcar seus trabalhos, mas o da ?comédia fantástica?, num tom muito mais literário, que favorece a prosódia, os neologismos do romance original. Guel acredita que isso não irá atrapalhar a compreensão do público. ?Acho que as pessoas vão entender rapidamente a brincadeira, as palavras novas, as inversões e se divertir muito.?Caetano e Milton são responsáveis pela trilha sonora do longa, que foi apontada por uma jornalista por ter aproveitado pouco o talentos dos dois. Diante do comentário, Paula Lavigne e Guel se prontificaram a explicar que, apesar de apenas duas canções do filme contarem com a voz dos dois, todas as composições que permeiam o filme são de Milton. ?Não é uma trilha comercial como era Lisbela, que chegou a ser Disco de Ouro, mas é popular e tem apelo sim?, defendeu a produtora. Caetano saiu em defesa da jornalista: ?Ela só quis ser gentil e não reclamar da trilha. Mas acrescento que as canções do filme não são comerciais no sentido de nascerem dentro deste gênero ?feito para vender, mas elas são muito atraentes e marcadas, o que pode alavancar as vendas do CD da trilha.?

Agencia Estado,

20 de setembro de 2005 | 20h02

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