Celeste Sloman/The New York Times
Celeste Sloman/The New York Times

'É um grande privilégio na vida amar aquilo que a gente faz', diz Isabelle Huppert

Aos 65 anos, a atriz francesa Isabelle Huppert tem cinco filmes com estreia prevista em 2019 e está também em cartaz no teatro

Elisabeth Vincentelli, The New York Times

25 de fevereiro de 2019 | 03h00

Isabelle Huppert tem cinco filmes com estreia marcada para 2019. A atriz francesa é tão ocupada que, enquanto interpretava uma versão exagerada dela mesma em um episódio da comédia da Netflix Call my Agent, no ano passado, ela trabalhava em dois filmes importantes ao mesmo tempo (e revendo o roteiro de um deles) e ao mesmo tempo arranjava tempo para um filme coreano ao lado e se preparava para encenar Hamlet no palco.

“Adoro o que faço”, disse ela em uma entrevista, quando lhe perguntaram porque tem um cronograma tão apertado. “É um grande privilégio na vida amar aquilo que a gente faz”.

A atriz, cujo perfil americano teve um grande impulso ao ser indicada para o Oscar por seu trabalho no filme Elle, de 2016, está fazendo uma pequena pausa do cinema para estrelar The Mother (A Mãe), peça de Florian Zeller, cujas apresentações começam dia 20 de fevereiro na Atlantic Theater Company. Durante esse período um novo filme seu será lançado, o thriller psicológico Greta, de Neil Jordan, que estreará nos cinemas em primeiro de março.

O produtor de teatro americano Jeffrey Richards apresentou a ela o projeto de Zeller cuja peça The Father (O Pai) foi encenada na Broadway em 2016, e ela imediatamente aceitou.

Entre a realidade e a fantasia. “Achei a peça excelente. É baseada em um tema que é ao mesmo tempo específico e universal, a história de uma mulher depressiva que passa por um período difícil no trato com seu marido e a ausência dos filhos. Às vezes ela me lembra a Blanche de Um Bonde chamado Desejo, porque ela vive entre a realidade e a fantasia e o sonho”, disse a atriz.

Anne, a mãe, é uma figura opaca e esquiva. Ela é louca? Exagera nos remédios? A personagem, e a peça, não oferecem resposta. Mas Isabelle, que tem um talento mágico para interpretar mulheres à beira da insanidade, deve tornar o mistério emocionante.

Difícil acreditar que, com mais de 120 filmes no currículo, ela tenha muito tempo livre, mas desde o início dos anos 1970 Isabelle, hoje com 65 anos, também tem uma carreira no palco bem sucedida. Apareceu em peças clássicas de Shakespeare e Ibsen, como também em outras bastante experimentais, revisitou obras clássicas como A Streetcar, de Krzysztif Warlikowski, baseada en Tennessee Wiliams. E também trabalhou em sucessos contemporâneos, tendo participado do elenco parisiense original da peça de Yasmina Reza vencedora de um Tony, Deus da Carnificina – além de interpretar papéis difíceis como o de Sarah Kane em 4:48 Psychosis, em que permanece quase imóvel durante 105 minutos.

Isabelle Huppert adora um desafio. Ao trabalhar com o severo diretor Robert Wilson em peças como Orlando e Quarteto, ela observou que “quanto mais imposição, mais você encontra seu espaço e sua liberdade. Eu preciso de pressão e a aceito com muito prazer”.

Peça escrita em francês. A Mãe, que é dirigida por Trip Cullman e tem no elenco Chris North no papel do marido, é a terceira peça em inglês para Isabelle, depois de Maria Stuart de Schiller, em Londres em 1996, e The Maids no Lincoln Center Festival em 2014.

“Quando você não domina bem uma língua, e o inglês não é minha língua materna, obviamente fica mais difícil”, disse ela. A ironia é que, como The Maids, A Mãe foi originalmente escrita em francês. Isabelle não leu o original e nem viu a estreia da peça em Paris em 2012. Ela mergulhou diretamente na tradução inglesa de Christopher Hampton. 

“Há um fraseado, um ritmo nesta língua que você tem de respeitar. Tento ficar vigilante a isto. Existem pausas, batidas, é como música e é muito importante respeitar isto de uma maneira bem precisa”.

Ao mesmo tempo, ela sabe que é importante ter flexibilidade quando trabalha em um projeto. “A primeira vez que nos encontramos”, disse Cullman, “fiz a ela muitas perguntas sobre seu processo de trabalho, como ela gosta de explorar seu personagem. Ela simplesmente respondeu ‘sou livre’. Faço uma sugestão, ou ela tem uma ideia e é uma experiência intensa: ‘ok, vou derrubar o vidro de comprimidos no chão e vou rastejar em volta e ingerir 30 pílulas em 30 segundos e vou me retorcer como um gato’”, disse ele. 

“Você sente que ela tem uma capacidade imediata se se libertar das limitações de um retrato naturalista e psicológico para evocar lógica do sonho na sua atuação”./ TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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