É Tudo Verdade: documentário conta a vida de Mozart

Em seu último filme, The Boy Who Plays on the Buddhas of Bamiyan, o cineasta Phil Grabsky tinha como tema a vida de um menino afegão. Agora, seu tema é um outro menino, Mozart. In the Search of Mozart passa hoje dentro da programação do festival É Tudo Verdade. É uma narrativa linear sobre a vida do compositor, do seu nascimento à morte, baseada em entrevistas com historiadores, biógrafos e artistas que em algum momento de suas trajetórias se ligaram à obra do músico. Grabsky, em entrevista recente, diz que há muito em comum entre seus últimos dois filmes. "Por um lado, um filme sobre um menino no Afeganistão e outro sobre a vida de Mozart parecem muito distantes. Mas, na verdade, há uma série de coisas em comum. Primeiro, o desejo de explorar o potencial humano de criatividade e, segundo lugar, um desejo também muito forte de examinar como o indivíduo pode se erguer acima das circunstâncias e deixar uma marca. Há poucos nomes tão famosos como Mozart - é impressionante. Será que algum filme meu ainda será visto daqui a 30 anos? Mas Mozart ainda tem centenas de obras entre as preferidas do público, sendo interpretadas e admiradas. Por isso quis saber quem ele era. De onde veio? O que o formou? De onde vem sua música?", diz o diretor. Para encontrar a resposta, ele foi atrás de uma série de historiadores, especialistas. Não é uma tarefa fácil. Não foram poucos os que se dedicaram em algum momento a discutir ou escrever sobre Mozart. Saber separar os depoimentos mais relevantes, os autores que de fato nos ajudaram a compreender melhor o compositor e sua obra - essa foi a grande tarefa. Grabsky diz que um dos primeiros cuidados foi se distanciar do filme Amadeus, de Milos Forman. "É um grande filme, mas para dizer algo de novo, precisei esquecer dele." O segundo cuidado foi com a música. Como escolher entre quase 700 obras trechos para ilustrar o documentário? "Acabei deixando esta parte para o músicos", explica Grabsky. É que, durante dois anos, o cineasta e sua equipe bateram na porta de uma série de teatros. Onde houvesse alguma montagem importante, algum concerto, eles estavam lá. Entrevistavam os artistas - Rene Jacobs, Thomas Allen, Renee Fleming, Lang Lang e uma série de outros intérpretes - e gravavam um pouco das apresentações. Quando os especialistas sugeriam alguma obra de que não se tinha gravação, pianistas eram chamados e as reproduziam no teclado, explicando sua importância. E qual o Mozart que Grabsky descobriu em sua busca? Ele diz que o que mais lhe chamou a atenção foi o lado humano do gênio, o modo como reconheceu muitos nele e como ele o ajudou a entender melhor o ser humano, ele próprio inclusive. "Tentei não visualizar um Mozart na minha cabeça até ter terminado de filmar. Só então comecei a tentar achar algum sentido nas entrevistas e me aproximar de uma imagem dele. E acho que ele surge ainda mais complexo e interessante do que em Amadeus", diz. Fica para cada espectador a conclusão. Mas In the Search of Mozart se, por um lado, não se aprofunda em muitas questões, serve como excelente porta de entrada, clara, limpa, completa, para o universo tão rico e vasto de Mozart. Só isso já faz do filme um marco importante das comemorações pelos 250 anos do compositor. À Procura de Mozart. MIS. Av. Europa, 158, 3062-9197. Hoje, às 16 horas. Grátis.

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