É Tudo Verdade dá a largada com 141 documentários

No ano passado, foram 111 filmes. Este ano, serão 141. Amir Labaki, criador do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, gostaria de manter seu evento pequeno, mas não dá. A cada ano, aumenta a oferta de filmes, que chegam não apenas das mais diversas regiões do País, mas do mundo. O É Tudo Verdade adquiriu projeção e respeitabilidade internacionais. Virou um dos maiores eventos de documentários do mundo. Mas Amir ainda lamenta - ?Menos filmes daria às pessoas a chance de verem mais coisas. Em uma semana, é humanamente impossível atender a tantos filmes e debates.? A festa do real começa nesta quinta, 22, em São Paulo e sexta, 23, no Rio. Adeus América, do diretor brasileiro (radicado na Espanha) Sérgio Oksman, inaugura a edição paulista do É Tudo Verdade. Os cariocas vão ver primeiro Santiago, de João Moreira Salles. Nos próximos dias - e até o dia 22 em São Paulo e 23, no Rio -, o festival segue o seu figurino tradicional. Serão duas competições internacionais, com 14 longas e 10 curtas, e duas brasileiras, com 7 longas e médias e 8 curtas. A retrospectiva internacional vai destacar a obra de documentarista do diretor polonês Krsysztof Kieslowski. A brasileira vai homenagear o grande documentarista Linduarte Noronha, autor de um dos marcos definidores do Cinema Novo, no começo dos anos 60, Aruanda. A homenagem estende-se à prestigiada escola paraibana, o que trará a São Paulo, para mostrar seu novo filme, Os Engenhos de Zé Lins - sobre outro paraibano ilustre, o escritor José Lins do Rego -, Vladimir Carvalho. Chile e Argentina Voltam as tradicionais mostras informativas - Estado das Coisas, Horizonte e o Foco Latino-Americano, que este ano vai mostrar a pujança do documentário chileno e também que os hermanos da Argentina não são bons só de ficção. A cultura do documentário está se alastrando no vizinho do Prata. Os programas especiais incluem uma homenagem aos 20 anos do Festival Internacional de Documentários de Amsterdã, uma mostra dos curtas experimentais do americano Jay Rosemblatt - que integra o júri internacional - e outra mostra com destaques dos festivais franceses de documentários, em 2006. A mesma coisa, como diz Amir Labaki -, mas maior. A principal novidade é o que já foi dito - e cinéfilos de carteirinha do É Tudo Verdade já perceberam. Atendendo a pedidos, a competição internacional ganha agora a categoria de curtas, que antes eram exibidos em caráter especial. Curtas na competição Filmes, filmes, filmes. Vale pinçar dois acontecimentos. Não é acidental que É Tudo Verdade, que lançou no Brasil o documentarista Michael Moore, exiba agora Fabricando Polêmica. A canadense Debbie Melnik quis fazer um filme para mostrar como o autor de Tiros em Columbine e Fahrenheit 11 de Setembro - que virou um símbolo do documentário militante - era um cara bacana. Fez um retrato desmistificador de Michael Moore, a quem cabe, no mínimo, a acusação de manipulador. Ética do documentário Isso leva à 7.ª Conferência Internacional do Documentário, que este ano discute, de 28 a 30, no Itaú Cultural, em São Paulo, a ética no documentário. ?A consolidação das novas tecnologias e a invasão cada vez maior da privacidade por meio de câmeras digitais tornam necessária a discussão da ética na relação do documentarista com seu material (ou personagem), a ética na hora de filmar e, principalmente, na hora de editar?, diz Amir Labaki. Nestes 12 anos de É Tudo Verdade, Amir assinala uma tendência. O documentário, no mundo, principalmente após o 11 de Setembro, ficou mais investigativo e político. O Brasil segue a tendência inversa. Um pouco por influência da escola mineira, que veio da videoarte de Eder Santos, o documentário brasileiro preocupa-se mais com a linguagem, a poesia. É tudo verdade, a festa é do real, mas o documentário não segue uma linha. É múltiplo. Com patrocínio da Petrobrás, Sesc/SP, Itaú Cultural, Centro Cultural Banco do Brasil e CPFL, o festival, orçado em R$ 1,2 milhão, outorga este ano o prêmio de R$ 100 mil para o melhor documentário brasileiro, como incentivo à distribuição.

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