Thiago Prado Neri/TV Globo
Thiago Prado Neri/TV Globo

'É só na base do palavrão', afirma Marisa Orth

Atriz fala como é domar a plateia do principal evento do Festival Mix Brasil, o Show do Gongo, e também sobre direitos homossexuais

Marcio Claesen, Estadão.com.br

16 de novembro de 2010 | 13h12

Em todos os anos é a mesma coisa. Por mais que a programação do Festival Mix Brasil traga filmes aguardados e até badalados mundo afora, o evento mais esperado pelo público continua sendo o Show do Gongo. Apesar da qualidade dos vídeos inscritos ter aumentado nos últimos anos, não há compromisso com a excelência nos quesitos técnicos. O que vale mesmo é a origininalidade. Boas pérolas do humor nacional já passaram pelo crivo da plateia, que se sobressai ao júri e disputa papel de protagonista com os próprios vídeos.

 

Quem bota ordem na casa é a atriz Marisa Orth, apresentadora oficial do evento desde que ele foi criado. O público grita, buzina, esperneia, mas é Marisa quem detém o poder de vetar o que está sendo mostrado. "Eu tenho o gongo na mão. Então, eu decido." Ao Estadão.com.br, a atriz, bem-humorada, mesmo em um dia que tirou para descansar, falou sobre a catarse do Gongo e a visibilidade e os direitos dos homossexuais no País.

 

Quantos anos de Show de Gongo, Marisa?

São 11 anos eu acho, não? Espera, eu me separei do meu ex-marido há dez e já apresentava o Gongo. Bom, se eles (o Mix Brasil) falam que são onze, são onze.

 

Como é dominar aquela plateia?

É punk. Olha, começou no Museu da Imagem e do Som, foi pro Cinesesc, depois para o Memorial da América Latina, agora está no Teatro Gazeta. É engraçado. É uma noite de graça. E eu tenho o gongo na mão. Então, eu decido. Eu tento evitar o coro da plateia. Tem gente que leva torcida de 20, 30 pessoas para apoiar seu filme a na hora dos outros vídeos eles uivam, gritam. Olha, pra controlar, é só na base do palavrão. Tem que ser assim. Eu tenho liberdade pra isso. Se não, como eu posso me impor? De 30 vídeos inscritos, em média, sobrevivem uns cinco, sei lá. E o legal é quando o filme é divertido e ainda ajuda na causa contra a homofobia. Isso é bacana.

 

Falando nos filmes, você se lembra de algum em especial?

Ah, muitos. Eu acho que deveriam lançar um DVD intitulado “Os Melhores do Gongo”. O do ano passado foi muito bom, “Furiculi Furiculá”, da Sandra Brogioni. Aliás, a Sandra é uma ótima candidata. Ela já apresentou ótimos vídeos. É sempre uma forte candidata pra ficar de olho.

 

Como você vê a importância do Festival Mix Brasil para a visibilidade da cultura homossexual no País?

Ajuda bastante. É um movimento super sério. O legal seria que filme bom fosse filme bom. Que não se precisasse do Mix, que eles (os filmes) pudessem estar em cartaz em qualquer cinema, mas ainda precisa. É um pessoal ótimo, gente inteligente. O André (Fischer), o João (Federici), a Laura Finocchiaro, a Suzy (Capó). São meus amigos.

 

Você é a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo?

Sou sim. União civil é de pessoas, de adultos, porque o casamento é uma firma. Duas carteiras de identidade podem se casar, oras.

 

 

Serviço:

Show do Gongo

Terça-feira (16), às 21h no Teatro Gazeta - Av. Paulista, 900, Bela Vista. Ingressos (esgotados): R$ 20 (Inscrições de vídeos podem ser feitas até 18h).

Tudo o que sabemos sobre:
MixBrasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.