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 '...E o Vento Levou' volta à plataforma de streaming com vídeos sobre contexto racista 

Filme de 1939 tinha saído do ar após protestos sobre representação de escravos 

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2020 | 08h25

O clássico ...E o Vento Levou retornou à plataforma de streaming da HBO Max dos Estados Unidos, na quarta-feira, 24, junto com dois recursos extras que discutem sua representação da raça na era da Guerra Civil. O filme, que foi um grande vencedor do Oscar de 1939, foi retirado de exibição duas semanas atrás, quando os Estados Unidos começaram as grandes manifestações contra o racismo sistêmico provocado pela brutalidade policial. 

A HBO Max, uma unidade da WarnerMedia, disse na época que retornaria com uma discussão sobre seu contexto histórico. Na quarta-feira, o filme ambientado em uma plantação da Geórgia foi acompanhado por uma introdução de quatro minutos e uma gravação de um painel de discussão sobre o filme no festival Turner Classic Movie (TCM) em 2019.

Antes da exibição do filme, a especialista em cinema Jacqueline Stewart, da Universidade de Chicago, argumenta em uma introdução que "esse drama épico de 1939 deve ser visto em sua forma original, contextualizado e debatido". Na apresentação, a especialista esclarece que o filme "não foi universalmente elogiado" em sua estreia, pois "mostra uma imagem do sul da América" antes da Guerra da Independência "como um cenário romântico e idílico que se perdeu tragicamente". 

"Tratar o mundo através das lentes da nostalgia nega os horrores da escravidão e seu legado de desigualdade racial", diz ela. No entanto, embora admitindo que "pode ser desconfortável", é "importante que os filmes clássicos de Hollywood estejam disponíveis em sua forma original".

Em seguida, ...E o Vento Levou é exibido na íntegra e sem censura, como a plataforma prometeu quando provocou polêmica internacional ao remover a fita do seu catálogo duas semanas atrás, de forma "temporária". Além disso, é também sugerido que o espectador assista a um debate de especialistas intitulado O complicado legado de ...E o Vento Levou. As notícias causaram controvérsia, embora o filme de 1939 tenha sido criticado por anos por oferecer uma visão idealizada da escravidão e perpetuar estereótipos racistas.

O período histórico em que o filme se baseia, e também o romance original, ainda é um capítulo controverso na sociedade americana, pois os estados do sul queriam proclamar a independência recusando-se a abolir a escravidão. O movimento coincide com a decisão de outras empresas, como a Disney, que inclui o rótulo "este programa é apresentado como foi originalmente criado, pode conter representações culturais obsoletas" em clássicos antigos que contêm detalhes que, sob o olhar do século 21, seriam racistas e desatualizado. 

"...E o Vento Levou já foi criticado em seu tempo por ativistas, como o roteirista afro-americano Carlton Moss, que criticou as caracterizações estereotipadas dos personagens negros por serem "preguiçosos, desajeitados, irresponsáveis" e mostrar uma "aceitação radiante da escravidão".

Quando a atriz afro-americana Hattie McDaniel ganhou o Oscar de coadjuvante por interpretar uma escrava, ela teve que se sentar separada de seus colegas, no final da sala, por causa das leis de segregação racial. Outros filmes observados de maneira semelhante são O Nascimento de uma Nação (1915) e Canção do Sul (1946), excluídos do catálogo da Disney e foco de protestos desde o dia de seu lançamento, acusados de ridicularizar a população negra e justificar a escravidão. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

 

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