E "Cidade de Deus" ficou sem Oscar

Mais uma vez, ficamos sem nada. O Brasil sai do Oscar em que entrou em melhores condições sem uma estatueta nas mãos. Fernando Meirelles perdeu para Peter Jackson na categoria de direção. Cesar Charlone perdeu para Andrew Lesnie na categoria fotografia. Daniel Resende perdeu para Annie Collins e Jamie Selkirk em montagem. E Bráulio Mantovani perdeu para Frances Walsh, Philipa Boyens e Peter Jackson em roteiro adaptado. Cidade de Deus e seu hiperrealismo ficaram chupando dedo diante da fantasia massificadora de O Senhor dos Anéis, que deu novo sentido à palavra blockbuster: sua terceira parte já é o segundo filme mais visto na história e a trilogia como um todo acaba de bater um recorde sem precedentes, já que em três anos conquistou 13 Oscars em categorias diferentes. Não faltarão desculpas para Cidade de Deus. Afinal, concorrer com um projeto industrial do porte do que foi levado a cabo por Peter Jackson e cia. não é fácil mesmo. Ainda mais para um filme brasileiro que, por mais que tenha sido bem recebido nos EUA e na Europa, obriga o público americano a ler legendas (coisa que eles não apreciam) e mostra um mundo que pode ter gerado certo estranhamento. E, como é sabido mas não é demais repetir, conseguir quatro indicações ao Oscar em categorias técnicas importantes, num trabalho de relançamento que evidencia a aposta que a Miramax fez em Cidade de Deus, é feito de grandeza suficiente para um filme feito abaixo do Equador. Ou seja, não ganhar não diminui Cidade de Deus. Mas também não o enobrece, não enverniza o filme com qualquer espécie de dor de artista derrotado.Cidade de Deus chegou onde podia chegar. As quatro indicações eram mesmo seu limite. Assim foi entendido pela Academia, assim foi na narrativa dos fatos. Fica para a história mais uma tentativa na cruzada pelo Oscar que, de tempos em tempos, o cinema brasileiro volta a empreender, com base em seu evidente progresso e também no marketing internacional cada vez mais forte. Carlos Saldanha - O diretor de animação Carlos Saldanha também perdeu. Ele concorria na categoria de melhor curta-metragem animado com Gone Nutty. A situação para ele é um pouco diferente, afinal os Oscar de animação seguem critérios próprios, já que o mercado deste tipo de filme também é específico. Mas é alguém que merece mais atenção. Já é o segundo ano em que ele concorre; ano passado foi com A Era do Gelo, do qual fez parte da equipe. Já que o Brasil se ufana com indicações ao Oscar, talvez seja o caso de acompanhar mais de perto o trabalho de Carlos Saldanha.

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