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Dupla de autores de 'Miss Sunshine' defende mistura de gêneros em Ruby Sparks

'A Namorada Perfeita' estreou sexta-feira, 12; nos EUA, fez mais sucesso de crítica que de público

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo,

15 Outubro 2012 | 19h35

Jonathan Dayton e Valerie Faris vieram rapidamente ao Brasil para prestigiar a apresentação de Ruby Sparks - A Namorada Perfeita no Festival do Rio. Chegaram na quinta, dia 27, deram entrevistas na sexta e no sábado, 28 de setembro, foram embora. No encontro no hotel de Copacabana, Valerie lamentou que não teria tempo de se encontrar com um de seus diretores preferidos - Leos Carax, que também veio mostrar Holy Motors no Rio. A Namorada Perfeita estreou sexta-feira, 12, na cidade. Nos EUA, fez mais sucesso de crítica que de público. Possui um charme especial, e certamente não é uma comédia romântica como as outras.

Mais estranho do que a ficção - o filme nasceu de um convite que Paul Dano e Zoe Kazan fizeram à dupla de diretores independentes, com quem ele havia trabalhado em Pequena Miss Sunshine. O roteiro é dos próprios atores, Dayton e Val se interessaram pela trama e pelos personagens, mas admitem que mexeram um pouco para melhorar a história do escritor com bloqueio criativo, após escrever um primeiro livro de sucesso. Ele está travado, na arte e na vida. Por sugestão de seu psicanalista, começa a escrever o que lhe vem à mente. Cria a namorada perfeita e ela, Ruby Sparks, sai do papel e adquire vida, mas é uma marionete que ele, como ‘autor’, pode manipular.

"Trabalhamos no roteiro quase um ano com a Zoe. Foram nove meses, e a gente sabia que os dois fariam os protagonistas. Foi um processo muito orgânico", explica Dayton. "Depois de Miss Sunshine, recebemos algumas ofertas e também tínhamos projetos próprios, que queríamos desenvolver. É frustrante quando se trabalha muito tempo em algo que não se realiza. Tivemos sorte desta vez, e o estúdio (a Fox) ainda nos deu corte final. Acho que eles se decepcionaram um pouco, porque a bilheteria não rendeu o esperado. Mas o prestígio de crítica ajudou e o filme vai terminar se pagando, porque não é caro", acrescenta Valerie, a ‘Val’.

O filme, segundo ela, "é sobre a liberdade de amar". Dayton prossegue - "Essa coisa de criar o parceiro ou a parceira ideal é muito ruim. Quando idealizam, as pessoas tendem a enquadrar os outros num conceito, uma ideia. Não dá certo. O amor tem de ser uma invenção diária, a dois." O repórter intervém. Lembra o poeta brasileiro que dizia que o amor é eterno enquanto dura- Vinicius de Morais. "Que lindo! Há uma cobrança de que o amor tem de durar para sempre, e essa é outra pressão que também pode sufocar uma relação. O importante é que não existem fórmulas para o amor. Cada dupla, cada casal faz sua história e tem de encontrar a fórmula apropriada para os dois", diz Dayton.

O casal de diretores revela que, a partir do que Dano e Zoe lhes propuseram, e durante sete meses, escreveram 17 versões do roteiro. "Aí, pedimos a Zoe que desistisse de escrever. Queríamos que ela se concentrasse só na atividade como atriz, para poder fazer o papel como gostaríamos. O desenho final do roteiro foi da gente", conta Dayton. O repórter observa que o filme mistura gêneros, e que encara o relacionamento do casal como Miss Sunshine falava sobre a família. "O que buscamos no cinema é justamente esse algo mais. A vida é uma mistura de humor e drama, por que o cinema não seria? Ao mesmo tempo, as histórias que nos interessam são humanas e têm de ser ricas para dar conta da complexidade que é viver. Por que temos a mania de querer controlar as coisas? De dominar aqueles a quem amamos?", pergunta Val.

Casados, Dayton e Valerie querem voltar logo para casa por causa dos filhos. "Tem gente cuidando deles, mas filhos são responsabilidade dos pais", ela observa. De volta ao filme, a trilha é sempre muito importante para os dois. "Trabalhamos de novo com Nick Urata, que também compôs para Miss Sunshine, e ele praticamente se mudou para o estúdio e ficou três meses acompanhando a montagem com a gente. Não é um procedimento padrão na indústria, mas levou a uma integração muito grande da trilha com o ritmo e o espírito do filme." O repórter confessa que o tempo todo, por mais simpáticos que fossem o filme e os personagens - o irmão de Paul Dano -, ele temia pelo desfecho. "E aí, gostou?", pergunta Val. "Nossa preocupação era justamente essa", arremata Dayton. "Por mais sombria que a história possa ser, e a cena em que Paul (Dano) manipula Zoe (Kazan) é cruel, o filme não poderia terminar para baixo. Era preciso abrir a história para o real. Nenhum filme é perfeito, ou melhor, poucos filmes são perfeitos. Apesar dos percalços, estamos felizes com o nosso."

RUBY SPARKS – A NAMORADA PERFEITA

Direção: Jonathan Dayton e Valerie Faris. Gênero: Comédia (EUA/2012, 104 min.). Classificação: 14 anos. Cotação: Bom

 

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