Páprica Fotografia
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'Duas de Mim', com Thalita Carauta, é a estreia de Cininha de Paula na direção de cinema

Thalita interpreta uma ajudante de cozinha que sonha em ser duas para dar conta do trabalho e se tornar chef

Luiz Carlos Merten, Impresso

29 de setembro de 2017 | 06h00

Maria Lupicinia Viana de Paula Gigliotti é uma atriz e diretora brasileira, mas não adianta procurá-la por esse nome, porque ela é conhecida como Cininha de Paula. As relações familiares dariam quase o espaço do texto – é filha da atriz Lupe Gigliotti, mãe de Maria Maya (de seu casamento com o diretor e ator Wolf Maya), sobrinha do humorista Chico Anysio e do cineasta Zelito Viana, prima dos atores Marcos Palmeira, Bruno Mazzeo e do comediante Nizo Neto. Ou seja, o humor está no DNA de Cininha. Egressa da comédia popular na TV, ela estreia – aos 59 anos – na direção de cinema.

Dirige Duas de Mim, com Thalita Carauta, que estreou nesta quinta, 28. Centro e poucas posições – não é um megalançamento, um desses blockbusters de humor que, amparados em astros e estrelas do vídeo, volta e meia irrompem nas salas. Tudo em Duas de Mim é menor. A plateia de jornalistas riu mais na coletiva que durante a sessão, e não que o filme não tenha seu encanto. Cininha adverte. “Sempre quis fazer cinema, mas faltava a oportunidade ou o tema. No caso de Duas de Mim, casou tudo, e ainda havia a produção de Iafa Britz, a Thalita no elenco. Thalita é uma força da natureza, mas eu nunca vi essa história como uma fábrica de gargalhadas.”

Cuidado com o que você deseja. Thalita faz essa ajudante de cozinha num restaurante. Distribui quentinhas. Tem um filho pré-adolescente na escola, o ex-marido e a mãe cheia de problemas para administrar. Seu sonho é ser chef. Como muitas pessoas estressadas e que se desdobram para dar conta de tudo que têm de fazer, Thalita formula seu desejo – queria ser duas para dar conta de tudo. Desejo atendido, ela se vê às voltas com seu duplo (sua dupla). A outra Thalita começa enquadrando os operários da construção que a assediam com as tradicionais piadas de ‘gostosa’. Thalita 1 gosta da atitude da 2 – mas só até que ela comece a interferir em sua vida.

Cininha reflete – “Gosto muito do que faço. Sou uma avó no mercado de trabalho e, acho, é um compromisso moral, que tenho de dar conta do mundo em que vivo. As pessoas podem nem se dar conta, mas espero que, vendo o filme, deem-se conta que, apesar da fantasia e dos efeitos, toda essa história é muito real. Duas de Mim é sobre a mulher moderna. Toda mulher sabe o que é ter dupla, tripla jornada. Dar conta da família, do trabalho, do afeto. O filme não levanta nenhuma bandeira, mas acho que, com toda honestidade, a gente faz observações preciosas sobre essa mulher, nesse momento preciso.”

O sonho de ser chef – e você sabe a quantidade de programas que existem na TV – torna-se viável para Thalita quando ela é chamada a participar de um concurso. Concorre com a própria patroa, dona do restaurante em que trabalha. O filho, que reprova a mãe por afastá-lo do pai, descobre duas ou três coisas sobre o personagem interpretado por Márcio Garcia. Nada que se assemelhe a um exercício sociológico, mas as observações de Duas de Mim não fazem feio, comparadas ao feminismo de Como Nossos Pais e As Duas Irenes, longas brasileiros mais ambiciosos e também em cartaz. Thalita em dose dupla, Márcio Garcia, que se autossatiriza como cafajeste, Latino como bom rapaz e Maria Gladys como mãe sofredora (o que mais?).

Cininha é avó. Acha importante contribuir com um Brasil menos preconceituoso, mais feliz – para seus netos. E Thalita, que já roubou tantas vezes a cena como coadjuvante, mostra que sabe carregar um filme sozinha. “Foi difícil, porque teve toda essa coisa de efeitos, mas foi divertido.”

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