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Drew Barrymore diz que Hollywood não é mais prioridade

Atriz volta ao cinema com a comédia 'Juntos e Misturados'

João Fernando, Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

19 de julho de 2014 | 16h00

NOVA YORK - Ainda bebê, Drew Barrymore já estava diante das câmeras. Com intervalos cada vez maiores para dar as caras na telona, a atriz, hoje com 39 anos, confessa que o cinema não é mais uma prioridade em sua vida. “Não faço mais tantos filmes, agora é um a cada três anos. É isso que me dá paz neste momento. Não sei nada do meu futuro. O que sei é que não dá para criar as minhas filhas e estar em filmes o tempo todo. Não quero perder isso nem me arrepender por não ter estado lá com elas em determinados momentos. Estou num ponto da minha vida em que nada mais importa a não ser as meninas”, entrega ela.

A norte-americana quebrou o jejum cinematográfico para rodar Juntos e Misturados, que chega ao circuito nacional nesta quinta-feira. No longa, ela é Lauren, uma mulher divorciada e com dois filhos que se enrola para engatar novos relacionamentos. Após um encontro malsucedido com Jim (Adam Sandler), também separado da mulher e pai de três meninas, eles acabam se esbarrando em uma viagem em família para a África, o que os leva a rever as atitudes um com o outro.

O filme é a terceira comédia romântica das duas estrelas de Hollywood. “O primeiro foi há quase 20 anos. Fazemos um a cada dez. Fizemos o Afinado no Amor (1998) no começo dos 20, o Como se Fosse a Primeira Vez, nos 30, e agora tenho quase 40. Ficarei feliz se fizermos outro daqui a dez anos”, deseja. 

Uma das apostas para o verão norte-americano, a produção demorou para reagir nas bilheterias de lá e, até a semana passada, havia arrecadado cerca de US$ 44 milhões, pouco em comparação com o orçamento de US$ 40 milhões. 

Drew acredita que ela e o amigo têm uma conexão com as histórias que vivem na ficção. “No Como se Fosse a Primeira Vez, ele estava se casando e eu estava em um relacionamento. Agora, somos pessoas de família. Acho que podemos colocar mais de nós mesmos, pois é verdadeiro em nossas vidas. Acho que é daí que vem a nossa química. Tenho muita admiração por ele. Muitos comediantes são talentosos, porém, obscuros. Ele é o oposto, é um cara legal mesmo. Temos a mesma energia.”

Juntos e Misturados começa com os dois se conhecendo em um encontro arranjado, situação impensável para ela, famosa desde a infância. “Nunca pude ir a um encontro às escuras, isso me chateia. Eu adoraria. Era muito frustrada com isso”, contou ainda ao Estado

Mesmo com status de estrela, ela jura gostar de viver as decepções que anônimos passam na vida amorosa. “Se alguém aparecesse e não desse meia volta quando me visse, já seria um sinal. Até encontros ruins foram divertidos, você tem uma história. Se arrumar para um encontro já tem metade da graça. Você passa maquiagem, toma uma taça de vinho e fica com aquela esperança do que pode acontecer.”

Apesar da fama mundial, a atriz, que foi à entrevista sem se maquiar, garante não ligar para os fotógrafos que a perseguem. “Porque nada disso é importante. Quando você está em casa e não há ninguém, só você e as pessoas que você ama a portas fechadas, nada mais importa”, explica.

Drew Barrymore tem um histórico de ter se envolvido com álcool e drogas no fim da infância, consequência da badalação da vida de atriz aliada à ausência dos pais – também artistas, o que a fez ser emancipada e morar sozinha na adolescência. Por isso, ela brinca que vai pensar duas vezes caso a filha, Olive, de um ano e meio, queira seguir a mesma carreira. “Vou dizer que, quando ela fizer 18 anos, pode trabalhar nisso”, diverte-se a atriz, que conversou com um grupo de jornalistas estrangeiros pouco antes de dar à luz Frankie, nascida em abril deste ano. 

A norte-americana afirma que concentrar os esforços na profissão a ajudou a superar os problemas. “Estou feliz por ter feito isso, foi o que me salvou. Eu precisava disso. Hoje, dou estrutura, família, consistência e o que elas precisarem. Quero ajudar em qualquer coisa que decidirem fazer quando adultas. Não quero que tenham as mesmas lacunas que eu”, desabafa. Segundo ela, a relação com sua mãe, Jaid, pesou na hora de exercer a maternidade. “Nos últimos 25 anos, ela tem sido uma estranha. É claro que é difícil. Principalmente parir. Mas vou ficar por aqui”, interrompe.

Drew derrete-se ao falar sobre o marido, o consultor de arte Will Kopelman. O fato de ele não pertencer à indústria do entretenimento é motivo de comemoração para ela. “Isso causa menos tensões em nossa relação. Admiro casais que conseguem administrar. Eu quero uma vida tranquila”, entrega. A atriz afirma que ele não se surpreende ao passar o fim de semana na casa de figuras como Steven Spielberg, seu padrinho e responsável por dirigi-la em E.T. (1982). “Will vem de uma família sofisticada. Isso não assusta. Ele cresceu em Manhattan. Steven o adora”, conta.

Além das funções relativas ao cinema, a artista também é uma mulher de negócios. Além de ser dona de uma marca de vinhos, gerencia uma empresa de produtos de beleza. “Há disciplinas, regras, responsabilidades. É um trabalho duro, mas posso voltar para casa à noite e ficar com a minha família ou trabalhar de casa. É assim que mantenho o equilíbrio neste momento”, avalia ela, que lançou um livro de fotografias que chegou a ficar na lista dos mais vendidos, de acordo com o New York Times. “Nunca acreditei que isso fosse acontecer. É só um livrinho.”

Apesar de ganhar dinheiro com a beleza dos outros, ela não se preocupa com a vaidade nem em manter-se jovem. “Por que as pessoas lutam contra isso? É como lutar contra a morte, é ridículo, estúpido e inevitável. Estou bem melhor agora do que eu era antes. Prefiro morrer a ter de voltar aos meus 25 anos”, sentencia. 

Drew explica que a experiência compensa o visual. “Não quero abrir mão da sabedoria que consegui ao longo dos anos. Estou em um momento melhor da minha vida. Não que as coisas estivessem ruins. Só não troco o conhecimento e discernimento que trabalhei tanto para conseguir. É lutar contra algo que não se pode controlar. Seria feliz se terminasse a vida com fraldas. Quero ser uma velha esperta.”

Criada em um meio em que a aparência tem força, ela ressalta ter ficado horrorizada com as cirurgias plásticas feitas por outras atrizes. “Acho que todo mundo fica parecido com um bagre. Não quero nada disso. Só acho que não posso dizer ‘nunca diga nunca’. Gosto quando as mulheres dizem ‘não é para mim’. Mas nunca vou dizer que não farei. Quem sabe?”, deixa no ar.

Requisitada pela publicidade, ela não estava pensando em como emagreceria após a segunda filha. “Você leva nove meses para desenvolver isso. Eu seria muito infeliz tentando me encaixar em um molde que não é o meu. Esse é o corpo que Deus me deu. Eu poderia melhorar se fizesse mais ginástica. Mas não vou acordar às 5 horas para ir à academia. Não é minha prioridade”, defende, jogada na poltrona de um luxuoso hotel de Manhattan, enquanto bebe de canudo água em um enorme copo com gelo.

Drew Barrymore faz o que pode para se isolar dos holofotes. “É uma besteira ficar criando expectativas para encontrar pessoas que você nunca mais vai ver. Não importa o que os outros pensam.” Ela, porém, se contradiz. “Se as pessoas dizem coisas horríveis sobre mim, é claro que isso me afeta, eu sou humana. Quero matá-los quando falam. Contudo, no fim do dia, isso já não tem a menor importância. É a sua vida. Há tantas notícias mais importantes acontecendo por aí. O que dizem sobre mim é muito menor do que os problemas do mundo.” (JOÃO FERNANDO)

O repórter viajou a convite da Warner.

Diretor fica indignado com acusação de racismo

Frank Coraci conhece Adam Sandler desde que ambos tinham 18 anos (nasceram em 1966). No cinema, Coraci tem dirigido alguns filmes do amigo. Ele assina agora Juntos e Misturados. A crítica dos EUA não é muito receptiva aos filmes de Sandler, mas desta vez o repúdio foi quase unânime. Numa entrevista por telefone, Coraci bate na tecla de que não faz filmes para os críticos e sim, para o público. “Para mim, os críticos têm sua agenda e já chegam aos filmes com ideias preconcebidas. Ele criticaram o filme pelo que chamaram de ‘abordagem quase zoológica dos africanos como servis dançarinos e tocadores de tambor’. O filme acaba de estrear na África do Sul e as plateias de lá não se sentiram representadas dessa maneira. Viram outra coisa. Nem de longe quisemos ser preconceituosos. Em quem você espera que eu acredite? Nos críticos de Nova York ou nos próprios africanos?”

O repórter observa que o coro africano, formado por um grupo que canta e dança comentando a ação, é um dos recursos mais originais e divertidos do filme. “Foi o que também pensei. Desde que os personagens apareceram no roteiro, senti que poderia fazer algo muito visual. A África é um continente que mexe com a cabeça da gente. Vida primitiva, natureza selvagem, animais exóticos, paisagens de cortar o fôlego. Mas nada disso substitui os próprios africanos. Filmamos in loco e recebemos o carinho daquelas pessoas, que foram muito hospitaleiras. Seria um canalha, se retribuísse sendo ofensivo.”

Há uma ditadura do politicamente correto, e Coraci e Sandler são acusados de transgredir várias regras. Humilhação das crianças, hipocrisia na abordagem do comportamento masculino – tudo é motivo de crítica. “Já trabalhei antes com Adam e o que posso dizer é que esse filme nasceu do desejo dele de falar sobre a paternidade. Adam é pai de duas filhas. É um pai amoroso. Como alguém pode nos acusar de bullying, de humilhar as crianças? O problema é que as pessoas se levam a sério demais. Se elas zoassem mais consigo mesmas, esse mundo seria melhor, com certeza.”

Sandler volta a formar dupla com Drew Barrymore (leia acima). “Drew é uma das pessoas mais doces e bem-humoradas que conheço. E a química dos dois bate na tela.” Um dos filhos dela parece-se com Frodo, e isso é motivo para uma piada sobre o local onde ele esconde o ‘anel’. Nas sessões no Brasil, o público morre de rir. Coraci sente-se recompensado. “Com Adam, a gente sempre trabalha a emoção, mas nunca se pode ser sentimental demais, para não ser pegajoso. Um pouco de vulgaridade também cabe, mas não demais, por causa da classificação etária (PG-13). É tudo uma questão de balancear.” A surpresa é a confissão do diretor. “Faço comédias, e gosto do que faço, mas meu gênero preferido é a ficção científica. Você viu No Limite do Amanhã, com Tom Cruise? Adorei”, ele diz. (LUIZ CARLOS MERTEN)

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