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'Dredd' mostra um herói à frente do seu tempo

Nova adaptação de HQ britânica tem futuro sombrio no qual a violência rege mocinhos e bandidos

Pedro Caiado, Especial para o 'Estado'

22 de setembro de 2012 | 19h43

Este ano vimos uma série de adaptações dos quadrinhos para as telas dos cinemas, alguns bons, mas outros que é melhor esquecer. Porém, preste atenção na nova adaptação do personagem da história em quadrinhos britânica Jude Dredd. Esqueça O Juiz, a lamentável adaptação para o cinema de 1995, com Sylvester Stallone e Rob Schneider.

Todo em 3D, o novo filme Dredd, que acaba de estrear no Brasil, todo em 3D, é fiel aos quadrinhos da 2000 AD, e vem agradando aos fãs no Reino Unido. Desta vez, quem revive o personagem criado nos anos 70, que se intitula de A Lei, é o neozelandês de 40 anos Karl Urban, um ator familiarizado com o gênero de fantasia e ficção científica. O Estado falou com ele em Londres.

Urban não é um rosto muito conhecido, mas, com certeza, é lembrado por papéis de vilão, como em Supremacia Bourne (como Kirill, 2004), Red (William Cooper, 2010) ou ficções científicas e fantasia como Star Trek (Leonard McCoy, 2009) e Senhor dos Anéis (Éomer, 2002 e 2003). Por pouco não pegou o papel de Bond que acabou sendo de Daniel Craig. “Eu estava filmando na época e não pude fazer os testes, mas Craig é o melhor Bond que já existiu”, defendeu.

Urban explicou que Dredd não é mais uma adaptação dos quadrinhos para o cinema, mas uma “distópica visão do futuro, quando o mundo ficou louco”. “Eu não li muitos quadrinhos quando era criança, mas me lembro que Dredd me marcou. Quando soube que eles estavam fazendo um filme, fiquei interessado. Quando vi uma cópia do roteiro, senti que era fiel aos quadrinhos que eu li anos atrás”, disse o ator, acrescentando que não iria participar da produção se não tivesse lido os quadrinhos. “O Dredd que interpreto tem uma estranheza que vem de algo escondido há muitos anos”, garantiu ao informar que uma das funções do herói é proteger a vida dos humanos.

Dredd pode não ter o mesmo apelo cultural de Batman e Superman, mas, certamente, é um personagem atraente. Para o ator, isso se deve ao seu humor negro, que permite que ele explore com segurança as questões de uma sociedade totalitária. “É um produto dos anos 1970, época de Margaret Thatcher no Reino Unido.” Outra diferença na nova versão de Dredd para o cinema é que agora ele fala bem menos, algo sugerido pelo próprio criador dos quadrinhos, John Wagner. “Se você pode se comunicar com uma frase apenas, não precisa de cinco.” Outra sugestão foi para que Dredd nunca tirasse o capacete, o que forçaria o ator a se comunicar mais fortemente pela linguagem corporal e voz.

“Foi um desafio usar o capacete durante todo o filme”, lembrou ao revelar como se comunicar com o público sem usar a visão. “O olhar é o bem mais valioso de um ator e quando isso é tirado, você precisa usa outros elementos disponíveis, como a voz e a linguagem corporal.”

O filme foi rodado durante três meses em Cape Town, na África do Sul, onde o calor pode ser infernal. “Foi duro. Filmamos durante o verão. Foi uma experiência difícil. Tive que ter uma certa coragem para aceitar esse papel. Foi um salto de fé”, afirmou o ator que, desde o início, sabia que não mostraria seu rosto durante todo o filme. “Desde a primeira reunião, concordamos que Dredd não deveria tirar o capacete, pois ele é uma figura enigmática e sem face, que representa a lei.”

A trama ocorre no futuro apocalíptico, nas ruínas do que seria a América no século 22, em Mega City One, uma megalópole de 800 milhões de pessoas policiadas pelos poderosos Juízes, que têm o poder de impor a lei, sentenciar e executar criminosos na cena do crime. A missão de Dredd e sua ajudante mutante é manter a ordem no prédio favela de 200 andares comandado pela traficante de drogas Ma-Ma (Lena Headey).

Indagado se chegou a conversar com Sylvester Stallone, Karl Urban ressaltou: “Não. Lembro de ter visto aquele filme quando saiu no cinema, mas nunca falei com ele. São filmes muito diferentes. O de Stallone é um produto daquela época”.

Dirigido por Pete Travis, o novo Dredd é violento, seguindo à risca os quadrinhos originais. “Estava no roteiro e é um aspecto importante do filme. Se você já leu os quadrinhos, sabe que, às vezes, a violência está bem explícita”, enfatizou Urban.

O que faz Dredd ser uma adaptação diferente? “Ele não é um super-herói, ele é um anti-herói. Ele é o cara que entra naquele prédio enquanto todo mundo esta correndo de lá com medo”, afirmou o ator, avisando que este é um filme para adultos.

A produção é uma aposta britânica. Se for bem-sucedida, a possibilidade de uma sequência é quase certa. “Não sei o que vou fazer no futuro, não até ler o roteiro e me identificar com o personagem, mas, se este fizer sucesso, adoraria estar na sequência, adoraria essa chance”, acrescentou o ator que vai participar da sequência de Star Trek, que estreia no ano que vem. “Dredd já é um clássico cult”, concluiu Urban.

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