Markus Schreiber/AP
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Drama iraniano comovente ilumina Festival de Berlim

'Nader and Simin: A Separation' vira aposta viável para ganhar o Urso de Ouro

MIKE COLLETT-WHITE, REUTERS

15 de fevereiro de 2011 | 15h25

O drama iraniano Nader and Simin: A Separation, saga familiar comovente e ao mesmo tempo thriller policial, infundiu novo ânimo no Festival de Cinema de Berlim nesta terça-feira, 15, virando uma aposta viável para ganhar o cobiçado prêmio Urso de Ouro.

O diretor iraniano Asghar Farhadi recebeu o Urso de Prata de melhor diretor em 2009 por Procurando Elly, e os aplausos prolongados ao final da sessão de seu novo filme para a imprensa em Berlim, antes de sua première mundial oficial, sugerem que ele possa ir ainda além disso com seu novo trabalho.

Foi uma injeção de ânimo bem-vinda para Berlim, onde a reação crítica aos filmes mostrados até agora na competição principal tem sido morna.

Simin é uma iraniana de classe média que quer deixar o país com seu marido, Nader, e a filha de 11 anos deles, para construir uma vida melhor no exterior. Nader se recusa, optando em lugar disso por cuidar de seu pai, que tem o mal de Alzheimer.

Simin sai de casa, e seu marido enfrenta dificuldades para trabalhar e cuidar de seus deveres familiares. Ele contrata uma mulher para cuidar de seu pai, mas quando volta para seu apartamento e descobre que a mulher saiu, deixando o idoso amarrado a uma cadeira, ele perde as estribeiras.

Depois da briga que se segue, Nader acaba no tribunal, em conflito com uma família mais pobre, tradicional e religiosamente devota.

A verdade do que aconteceu vem à tona aos poucos ao longo da tragédia que se segue, levando o público a solidarizar-se com as duas famílias, ambas com filhas inocentes envolvidas na disputa.

"Existem muitos fatores na sociedade que podem levar a situações desse tipo", disse Farhadi a jornalistas em Berlim, falando com a ajuda de um intérprete.

"Um deles é a luta de classes - entre os pobres, mais tradicionais e religiosos, e a outra classe, que quer pautar-se por normas modernas."

"É uma luta um tanto quanto oculta entre o velho e o novo em nossa sociedade. Isso vai custar caro a nossa sociedade."

Farhadi falou também do diretor iraniano Jafer Panahi, convidado a integrar o júri de Berlim mas que foi sentenciado a seis anos de prisão e proibido de fazer filmes ou viajar para fora do país por 20 anos.

"Estou muito triste", disse Farhadi. "Antes de vir para cá, telefonei a ele e me despedi. Fique triste porque me despedi para ir a um lugar para onde ele não pode vir."

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