"Drácula 2000" dá para suportar

Drácula e Judas Iscariotes, o traidor que vendeu Cristo por 30 moedas de prata, são a mesma pessoa. Esta é a única idéia mais original de Drácula 2000, que estréia nessa sexta-feira nos cinemas. O resto você já viu. Mas dá para suportar, sobretudo porque em Drácula 2000 estão aquelas coisas amadas pelos vampirófilos: pescoços mordidos, sangue jorrando, estacas cravando-se em corações. Para justificar o título, há uma pitadinha ma non troppo de Drácula de Bram Stoker na história. O morcegão começa preso num caixão de prata. O carcereiro é o dr. Van Helsing, que não consegue - em cem anos - um jeito de matar Drácula. Ele próprio está vivo porque usa sanguessugas que, por sua vez, beberam sangue do vampiro. Idéia digna de uma história em quadrinhos? Mas esse é o tom do filme. Mesmo a conexão Judas-vampiros não passa disso e é tão mal explicada quanto num gibi. Drácula é libertado por um bando de ladrões e começa a perseguir Mary, a filha de Van Helsing, que teria o seu sangue (falando nisso, só as mães é que passam sangue para bebês, mas é só um detalhe...). Todos se encontram no carnaval de Nova Orleans, onde Mary mora e trabalha na Virgin Records (o merchandising faria corar as novelas globais). Boa parte dos personagens tem a cabeça cortada e o filme não perde nada com isso. Christopher Plummer como Van Helsing é o mais reconhecível do elenco e, depois de longa carreira de canastronices, consegue ser o melhor ator em cena. O vampiro (Gerald Butler) não convence nem como Judas nem como Drácula. Tem cara de tigrão anos 80 e menos carisma que as sanguessugas de Van Helsing. É desajeitado até para morder pescoços, o mínimo que se espera de um vampiro decente.

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