"Doutores da Alegria" comove sem apelar

O documentário Doutores da Alegria, de Mara Mourão (Avassaladoras), que recebeu o Prêmio Especial do Júri no recente Festival de Cinema de Gramado, e estréia hoje nos cinemas, mostra a história da ONG de comediantes voluntários que visitam crianças hospitalizadas e comove sem apelar para a chantagem emocional.Os "doutores", no caso, cumprem a missão humanitária de devolver àquelas crianças, às vezes atingidas por enfermidades graves, a alegria e o descompromisso próprios da infância. Ou seja, devolve-lhes, ainda que por pouco tempo, o estado natural a que teriam direito. E fazem mais, na verdade. Tratam as crianças com todo o respeito, como sujeitos e não como pequenos objetos enfermos que precisam ser tratados, cuidados e curados. Quando foi apresentado em Gramado levou a platéia às lágrimas em muitas seqüências. O filme emociona, acima de tudo, em razão das crianças. Há uma passagem, em que um dos "doutores" relembra a fase terminal de uma criança, que provocou verdadeira tempestade de lágrimas no cinema. Doutores da Alegria dá ainda um presente extra ao espectador, uma espécie de cereja sobre o bolo: nesse momento de desencanto, anomia e falta de ética, é sempre um conforto saber que existem no mundo pessoas que praticam o bem sem visar nenhuma vantagem econômica.

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