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'Doutor Sono' e 'Parasita' estão entre as estreias de cinema da semana (7/11)

Veja os trailers dos filmes e as indicações do crítico do 'Estado', Luiz Carlos Merten, sobre os filmes que entram nas salas brasileiras nesta semana'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2019 | 16h09

No pós-Mostra, entram em cartaz 13 novos filmes - 13! O de maior circuito é Doutor Sono, baseado em Stephen King e que dá prosseguimento a O Iluminado, o clássico de Stanley Kubrick que o escritor detesta. Dessa vez, King gostou. Mais do que para terror, prepare-se para cenas brutais - uma certa tortura, de arrepiar.

Em termos de qualidade, há coisas melhores - Cadê Você, Bernadette?, o novo Richard Linklater, com Cate Blanchett tocando o sublime (mas quando não é assim?) e Retablo, uma joia peruana, com chance de se inscrever entre os melhores filmes do ano.

Bate Coração

Direção de Glauber Filho, com Aramis Trindade, André Bankoff, Heloísa Jorge, Germana Guilhermme, Dênios Lacerda, Brenno Leone.

Mulherengo e preconceituoso, homem sofre ataque cardíaco e necessita de transplante. Recebe o coração de uma travesti, o que provoca certas reações - em sua cabeça. Mais uma contribuição do cinema do Ceará. O tom é de comédia.

Cadê Você, Bernadette?

Direção de Richard Linklater, com Cate Blanchett, Billy Crudup, Kristen Wiig, Judy Greer, Emma Nelson, Laurence Fishburne.

Num ano marcado por grandes interpretações masculinas - Joaquin Phoenix, Brad Pitt, Antonio Banderas, Anthony Hopkins, Jonathan Pryce -, as aspirantes feministas ao Oscar 2020 pareciam menos fortes. Pareciam - porque agora já temos Cate Blanchett. Duas vezes vencedora do prêmio - melhor coadjuvante por O Aviador, melhor atriz por Blue Jasmine -, ela poderá emplacar sua terceira estatueta pelo filme, aliás, maravilhoso, de Richard Linklater, diretor da trilogia Antes (do Amanhecer/do Pôr do Sol/da Meia-Noite). Uma família, um casal. Uma mulher à beira de um ataque de nervos, tentando se encontrar nas regiões geladas e desoladas da Antártida.

Doutor Sono

Direção de Mike Flanagan, com Ewan McGregor, Rebecca Ferguson, Kyliegh Curran, Cliff Curtis, Carl Lumbly, Emily Alyn Lind, Carel Struycken.

A grande estreia da semana, pelo menos em termos de salas e atração para o público. A história de Danny, o garoto de O Iluminado, de Stanley Kubrick, que cresceu para virar um adulto perturbado e neurótico, e agora tem a chance de se superar ajudando uma garota, iluminada como ele, que está sendo caçada por uma seita. É baseado no livro de Stephen King, e o escritor detesta o filme de Kubrick. King tem proclamado que o diretor e roteirista Flanagan conseguiu recuperar o desastre de Kubrick. O que o novo diretor fez foi tornar explícito tudo o que era misterioso e secreto na obra-prima kubrickiana. Fumacinhas que saem da boca, a sessão de tortura da criança. É bem impressionante, chocante até, mas daí a reparar Kubrick... Só fã de carteirinha para aceitar.

Cine São Paulo

Direção de Ricardo Martensen e Felipe Tomazelli.

Documentário premiado com menção do júri na competição brasileira do É Tudo Verdade. O restauro de um cinema de rua em Dois Córregos permite mapear mudanças e recuperar uma tradição antiga.

Fernando

Direção de Igor Angelkorte, Julia Ariani e Paula Vilela, com Fernando Bohrer, Rubens Barbot.

Documentário nas bordas da ficção, documenta a rotina da vida do artista Fernando Bohrer. Em casa, com o companheiro, fazendo arte, tratando a saúde, que não vai bem. Parece nada, mas é tudo.

Link Perdido

Direção de Chris Butler.

Animação com as vozes de Hugh Jackman e Zach Galifianakis no original. Pesquisador procura e encontra o elo perdido na evolução humana. Que estranha criatura é essa?

Mama Colonel

Direção de Dieudo Hamadi.

Vencedor do prêmio de melhor documentário no African Award, trata um retrato vigoroso de Honorine Munyole, viúva de 44 anos, mãe de sete filhos, que comanda brigada para proteger as mulheres da violência sexual no Congo.

Meu Amigo Fela

Direção de Joel Zito Araújo.

Sempre preocupado com o tema do racismo na sociedade - e na cultura - brasileiras, Joel Zito amplia um pouco o foco e documenta o músico nigeriano Fela Kuti pelo olhar de seu amigo, e biógrafo, o cubano Carlos Moore. Uma viagem de Nova York ao coração da África, revelando um artista genial e iluminando o que muitas vezes parecia excentricidade de pop star. A resistência política, a espiritualidade, a energia sexual. Belíssimo.

Parasita

Direção de Bong Joon-ho, com Song Kang-ho, Choi Woo-shik, Park So-dam, Chang Hyae Jin.

O thriller social do autor sul-coreano venceu a Palma de Ouro em Cannes, em maio. Duas famílias, uma rica e outra pobre. A segunda se instala na casa da primeira. Seriam, naturalmente, os parasitas, mas, de forma inteligente e até humorada, Bong Joon-ho mostra como e por que os ricos também são parasitas. Entre o andar de baixo e o de cima, existem as escadas. O próprio Bong definiu seu longa como 'filme-escada' para o Estado.

O Relatório

Direção de Scott Z. Burns, com Adam Driver, Annette Bening, Jon Hamm, Michael C. Hall, Maura Tierney.

Adam Driver é encarregado pela senadora Annette Bening para liderar comissão que investriga violações de direitos humanos por parte do governo dos EUA, após os atentados de 11 de setembro. Um thriller político que está sendo apontado para o Oscar. O personagem sofre todo tipo de pressão e ameaça. Se, ao invés de denunciar, o que lhe estiver sendo proposto for um acobertamento? Forte!

Retablo

Direção de Álvaro Delgado-Aparício, com Amiel Cayo, Magaly Solier, Junior Bejar, Claudia Solís.

Nas montanhas peruanas, garoto segue os passos do pai, um renomado artesão que produz retablos, caixas que reproduzem eventos religiosos e/ou cotidianos. A vida familiar sofrerá um abalo quando vierem à tona certos segredos íntimos do pai (e que vão acirrar o preconceito da comunidade). Um pequeno (no tamanho) mas grande (na qualidade) filme do Peru. Irá para os melhores do ano, com certeza.

Safarad

Direção de Luís Ismael, com Rodrigo Santos, Jorge Mota, Teresa Chaves, Keith David.

O épico do judaísmo em Portugal. No fim do século 15, o rei Dom Manuel proíbe a religião no reino. Cerca de 400 anos depois, um oficial convertido do Exército reúne comerciantes que fundam a Comunidade Judaica do Porto, retomando a história e a tradição interrompidas. O filme integrou a programação do recente Festival de Cinema Judaico de São Paulo, onde teve boas críticas.

Ventos da Liberdade

Direção de Michael Bully Herbig, com Friedrich Mucke, Karoline Schuch, David Kross, Thomas Kretschmann.

Homônimo do clássico de Ken Loach, de 2007, o longa mostra família que tenta fugir da Alemanha Oriental, em 1979. usando balão. O foco está no espetáculo. Nada mais importa, senão a perseguição sem fim e a tentativa da família para permanecer unida.

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