UNIVERSAL STUDIOS
UNIVERSAL STUDIOS

Dos palcos ao cinema, Henry Fonda foi um grande astro seletivo e progressista

Neste sábado, 16, comemoram-se 115 anos de seu nascimento com quatro filmes no Telecine Cult

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2020 | 10h05

Há um hiato na carreira de ator de cinema de Henry Fonda, entre os anos de 1948 e 57, ou entre os filmes Sangue de Herói/Forte Apache, de John Ford, e Doze Homens e Uma Sentença, de Sidney Lumet. Foram os anos em que Fonda deixou Hollywood, na Costa Oeste, para se estabelecer em Nova York, na Leste, dedicando-se prioritariamente ao teatro. Pai de Jane e Peter Fonda, Henry foi um grande astro – dos maiores dos EUA. Destacou-se no western, no drama contemporâneo. Pontualmente, participou até de comédias. Mas o que o torna especial, e ele transmitiu isso aos filhos, é que Henry Fonda foi um astro seletivo e progressista.

Ele nasceu em 16 de maio de 1905. Comemoram-se, portanto, neste sábado, 115 anos de seu nascimento. A data será lembrada pelo Telecine Cult, que programou quatro filmes a partir das 15h30. O primeiro, Doze Homens e Uma Sentença, será seguido por Era Uma Vez no Oeste, de Sergio Leone, às 17h15; A Caçada, de Don Siegel, às 20h10; e Guerra e Paz, de King Vidor, às 22 h.

Henry Fonda nasceu em Nebraska. Estudou para ser jornalista, mas, simultaneamente, começou a fazer teatro. Chamou a atenção com uma peça de comédia, The Farmer Takes a Wife. Os direitos foram adquiridos para o cinema, e Fonda foi parar em Hollywood, integrando o elenco do filme realizado por Victor Fleming, com Janet Gaynor. No Brasil, chamou-se Amor Singelo.

Durante um par de anos, ele alternou comédias e dramas insignificantes, mas em 1937 estourou num grande filme de Fritz Lang, interpretando um daqueles personagens trágicos do diretor em Vive-Se Só Uma Vez. Seguiu-se outro grande filme – de William Wyler, Jezebel. Em 1939, foi o 'young Mr. Lincoln' de John Ford, emendando no ano seguinte com outro filme do diretor, Ao Rufar dos Tambores. Por meio desses filmes, e nos anos seguintes – em Vinhas da Ira, o clássico de Ford; Jesse James, de Henry King, e A Volta de Frank James, de Lang, O Fugitivo, outro Ford -, esculpiu um tipo de personagem sólido, íntegro, uma espécie de herói cotidiano com senso de dever cívico.

Serviu na guerra, na Marinha, e, de volta a Hollywood, estrelou mais um Ford, Sangue de Herói, antes de voltar ao teatro, com dedicação exclusiva. Durante anos, representou a peça Mister Roberts que, quando virou filme, provocou seu rompimento com Ford. Fonda tinha sua concepção do personagem que representara durante anos, e não era a do cineasta. Brigaram no set, Ford foi substituído por Mervyn LeRoy. Antes de Mister Roberts, Fonda retomara a carreira no cinema com Doze Homens e Uma Sentença, num personagem liberal com a cara dele.

Seguiu sua grande carreira com filmes de King Vidor (Guerra e Paz), Alfred Hitchcock (O Homem Errado), Anthony Mann (O Homem dos Olhos Frios), Otto Preminger (Tempestade sobre Washington e A Primeira Vitória), Richard Fleischer (O Homem Que Odiava as Mulheres), Sergio Leone (Era Uma Vez no Oeste) e Joseph L. Mankiewicz (Ninho de Cobras).

Na vida privada, Fonda casou-se cinco vezes e a mãe de Jane e Peter, a socialite Frances Ford Seymour - a segunda esposa -, suicidou-se. Os filhos tiveram a melhor educação, mas Fonda foi um pai distante. O psiquiatra de Frances definiu-o, anos depois, como um narcisista obsessivo e frio. Jane ressentiu-se, mais até do que Peter. Muita gente avalia que suas diferentes fases – mito sexual, ativista política, etc – podem ter sido formas para confrontar o pai. Só se acertaram no fim da vida de Henry, quando Jane produziu e interpretou Num Lago Dourado, de Mark Rydell, de 1981, que valeu a Katharine Hepburn seu quarto Oscar e o único de Henry. Ele morreu em 12 de agosto de 1982, aos 77 anos.

 

Os filmes da homenagem

Doze Homens e Um Destino

O longa de estreia de Sidney Lumet, de 1957, baseia-se na teleplay de Reginald Rose. Um júri, onze homens que querem uma condenação rápida e Henry Fonda como o único que lança dúvidas, minando a unanimidade da decisão, até conseguir revertê-la.

Era Uma vez No Oeste

O mais ambicioso spaghetti western de Sergio Leone, de 1968. A estrada de ferro lança seus assassinos contra os fazendeiros que hesitam em vender suas terras. Henry Fonda, num contra-emprego, faz o vilão. E usa o sobretudo longo de Lee Marvin em O Homem Que Matou o Facínora, de John Ford, de 1962.

A Caçada

Don Siegel, grande diretor de ação, realizou este western em 1967, entre duas obras maiores, Os Assassinos e Os Impiedosos. Henry Fonda faz o estranho que chega a uma cidadezinha do Oeste e tromba com xerife autoritário, que o transforma em alvo de uma caçada humana.

Guerra e Paz

A versão da obra-prima de Tolstoi por King Vidor, em 1955. Henry Fonda faz Pierre e a grande cena é com ele, quando o personagem atravessa o campo de batalha de Borodino, como Fabrizio Del Longo em A Cartuxa de Parma, de Stendhal. Vidor e seus roteiristas condensaram o romance caudaloso, mas não o edulcoraram.

 

Tudo o que sabemos sobre:
Henry Fonda

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.