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Donald e Kiefer Sutherland dividem a cena em 'Forsaken'

Depois de trabalharem juntos em papéis pequenos, pai e filho são protagonistas de western dirigido por Jon Cassar; assista ao trailer

Mariane Morisawa - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

05 Outubro 2015 | 20h42

ZURIQUE - Durante 30 anos, Kiefer Sutherland tentou fazer um filme com o pai, Donald - hoje mais conhecido como o Presidente Snow da saga Jogos Vorazes. Finalmente deu certo no western Forsaken, dirigido por Jon Cassar. Donald, de 80 anos, interpreta o reverendo Clayton. Kiefer, de 48, é seu filho John Henry, que deixou a casa depois de se tornar um temido pistoleiro. Em sua volta, tenta se regenerar e reconquistar o amor e o respeito do pai, bem na hora que um bando de fora da lei ameaça os fazendeiros da região. Sutherland pai e Sutherland filho tinham trabalhado juntos em papéis menores, mas nunca como protagonistas. Kiefer apresentou o longa no 11.º Festival de Zurique e conversou com o Estado sobre atuação, Donald e faroestes. 

Você quis fazer um filme com seu pai sua vida toda. Por que demorou tanto?

É difícil. Fiz algumas peças com minha mãe (Shirley Douglas, que se separou de Donald em 1970). Mas teatro é diferente, a produção é menor. Se você vai fazer um filme, provavelmente vai ter uma única chance. Demorei para achar o material certo e a hora certa. Me diverti tanto que me arrependo de não ter feito antes. 

Ficou nervoso?

Muito! 

Como seu pai reagiu ao seu nervosismo?

Ele riu. Acho que ele gostou (risos). Isso que foi legal de fazer o filme: a relação pai e filho nunca desaparece. Se meu pai dizia “sente-se”, nove entre dez vezes me sentava. Em 24 Horas, eu era o chefe do set. Em Forsaken, trabalhando com meu pai, era o garoto. Foi engraçado. 

Sempre foi fã de westerns? Tem a ver com sua paixão por rodeios?

Acho que foi o contrário: gosto de rodeio e dessas coisas porque amo tanto os westerns. Para mim, eles simbolizam as grandes narrativas americanas. Tem um mocinho, um vilão, a história é preto no branco. Em meio a isso, há áreas cinzentas. Quando penso em Mais Forte que a Vingança (1972, de Sydney Pollack), Os Brutos Também Amam (1953, de George Stevens), Josey Wales, o Fora da Lei (1976, de Clint Eastwood), a minissérie Os Pistoleiros do Oeste (1989), para mim, são uma narrativa puramente americana. 

Mas é raro fazerem westerns puros hoje em dia, eles normalmente são modernizados.

Pois é, eu odeio! Eles enfiam alienígenas ali no meio. Ou viagem no tempo. Isso porque tem um idiota de 23 anos dirigindo o estúdio, que nunca viu um western em sua vida, nunca leu um livro... Melhor nem começar a falar! Realmente me deixa bravo. Para começo de conversa, os westerns são um sucesso. Os Jovens Pistoleiros (1988, de Christopher Cain) e Jovens Demais para Morrer (1990, de Geoff Murphy) são os dois filmes mais bem-sucedidos da minha carreira. Tentei fazer um western de novo, durante 30 anos, nunca foi possível. Não entendo. 

Vindo de uma família de atores, havia de fato uma possibilidade de fazer outra coisa?

Ah, meu Deus, sim! Por dez anos, criei gado e fui caubói profissional por um tempo. Fiz muitas coisas. Tenho paixão por música. Fui dono de um selo musical. Trabalhei numa cozinha quando era mais jovem. Tive sorte, foram muitas oportunidades. Mas o que amo é atuar. Então, acabo voltando para isso.

 

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