Domingos Oliveira é cartaz na tela e no palco

A produção do ator, diretor, roteirista e dramaturgo Domingos Oliveira é compulsiva. No Rio, ele estreou, no sábado, a peça Complicações, em que dirige e divide o palco do Teatro do Planetário com Maria Paula. A partir de hoje, o Cineclube Cinesesc dedica um miniciclo à sua obra cinematográfica, com a exibição de Amores, filme de 1998 que marcou sua volta ao cinema depois de 20 anos. E suas gavetas continuam abarrotadas de projetos que, em tempos difíceis, têm a mesma característica: estética de baixo custo. Para todos, o diretor busca patrocínio.Em Complicações, Oliveira faz um exercício de um estilo a que está pouco acostumado, o humor absurdo, para contar a história do confronto entre uma estagiária de 29 anos que acaba se envolvendo com um velho contador, casado e com filhos, que se vê sozinho quando a família viaja para Bariloche. Sem patrocínio, a peça só estreou por insistência de Maria Paula.Persistência que também marca a disposição de Oliveira em viabilizar seus próximos projetos. Como a filmagem de No Brilho da Gota de Sangue, peça de teatro que ele escreveu há mais de 20 anos. "Foi o primeiro texto que escrevi e, para a versão cinematográfica, quase não troquei nada", comenta ele, sobre a história de um repórter solitário e triste (a ser vivido por Pedro Cardoso), baseado em Carlinhos de Oliveira, que consegue desmoralizar um delegado torturador (Carlos Vereza), que acaba se suicidando. Como se passa nos anos 1940, o filme deverá ser rodado em preto-e-branco e Oliveira planeja ainda um toque de ousadia: no final, uma cena de sexo explícito. "Será o sexo da tragédia", anuncia.Também a peça Todo Mundo tem Problemas Sexuais, sucesso teatral que Oliveira escreveu com Alberto Godin, deverá chegar ao cinema, mas como teatro filmado. Por iniciativa de Pedro Cardoso, cerca de 20 apresentações foram gravadas em digital que, inicialmente, seriam editadas para um DVD. Oliveira pretende ainda filmar um curta-metragem sobre José Bechara e sua discussão ácida sobre arte contemporânea e mais uma de suas peças, A Primeira Valsa, sobre a dolorosa passagem de um adolescente para a fase adulta. Com um forte tom autobiográfico, o filme vai marcar o reencontro de Oliveira com um de seus atores prediletos, Paulo José. "Ele tem o porte fino e aristocrático para o papel", justifica.Paulo José, aliás, é o destaque de dois outros filmes que figuram na programação do Cineclube Cinesesc: Edu Coração de Ouro e Todas as Mulheres do Mundo, que será exibido na sexta-feira. Comédia de costumes, o filme, que reúne Paulo José e Leila Diniz, mostra as aventuras de um rapaz que paquera as belas mulheres das praias cariocas. Baseado no relacionamento do diretor com Leila, o longa, portanto, é uma espécie de exorcismo do artista Domingos Oliveira, que inventava o final feliz que a vida real não permitira.Cineclube Cinesesc - Rua Augusta, 2.075, tel.: 3082-0213.

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