Dois filmes levam a uma viagem em busca do desconhecido

Sessão dupla no Instituto Moreira Salles apresenta nesta quarta, 17, 'Bye Bye Brasil' e 'A Longa Caminhada' , filmes de Cacá Diegues e Nicolas Roeg; veja trailer de 'Bye Bye Brasil'

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo

José Wilker no filme 'Bye Bye Brasil' Foto: Embrafilme

No Instituto Moreira Salles (IMS), ocorre nesta quarta-feira, dia 17, mais uma sessão dupla de Bye Bye Brasil e A Longa Caminhada. A primeira ocorreu no sábado, dia 13. Os longas do brasileiro Cacá Diegues e do britânico Nicolas Roeg foram reunidos porque ambos partem do tema da viagem para discutir a busca pelo desconhecido e a descoberta do próprio país. 

No filme brasileiro, às 19h, uma trupe de artistas – a caravana Rólidei – percorre as entranhas do Brasil na época da ditadura. Descobre a Transamazônica e a força da TV como fator de integração nacional. Num momento mágico, a magia do grupo mambembe faz nevar sobre o sertão. Considerado um dos melhores filmes de Cacá Diegues, traz as interpretações de José Wilker, Betty Faria e Fábio Jr. E ainda tem a trilha de Chico Buarque. Um clássico.

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A Longa Caminhada/Walkabout, que passa às 21h20, vem da Austrália. O britânico Roeg, que morreu em 23 de novembro do ano passado, foi conceituado diretor de fotografia – na série de Roger Corman adaptada de Edgar Allan Poe, por exemplo. 

No Dicionário de Cinema, Jean Tulard observa que todos os seus filmes adotam a forma de uma iniciação – o gângster que descobre o rock em O Homem Que Caiu na Terra e descortina outro mundo, a investigação sobre a morte em Inverno de Sangue em Veneza, etc. Nenhuma iniciação é mais impressionante que a de A Longa Caminhada.

‘A Longa Caminhada’ mostra irmãos salvos por aborígine Foto: 20th Century Fox

Um pai parte com os filhos pelo deserto. Enlouquece, coloca fogo no carro, suicida-se. A garota e o irmão mais novo vagam pela imensidão e, com certeza, morreriam, se não encontrassem o aborígine. Numa cena que fez sensação na época (1971), David Gulpilil executa a dança do acasalamento para Jenny Agutter. Ela recusa, instintivamente, sem saber direito o que é, e só anos mais tarde, dona de casa e infeliz, além de sexualmente reprimida, dá-se conta de que aquele poderia ter sido um momento de libertação de sua vida.

Em 1980, Randal Kleiser fez A Lagoa Azul, sobre um casal de jovens que descobre a sexualidade na lagoa do título. Se Gulpilil não fosse ‘diferente’ (outra etnia, outra cultura), Jenny teria correspondido? 

Logo em seguida, Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, e O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima, abririam novas fronteiras para o sexo no cinema. A Longa Caminhada foi um precursor. Uma espécie de paraíso perdido (para Jenny), lindamente fotografado. 

 

 

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Sessão dupla no Instituto Moreira Salles apresenta nesta quarta, 17, 'Bye Bye Brasil' e 'A Longa Caminhada' , filmes de Cacá Diegues e Nicolas Roeg; veja trailer de 'Bye Bye Brasil'

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo

José Wilker no filme 'Bye Bye Brasil' Foto: Embrafilme

No Instituto Moreira Salles (IMS), ocorre nesta quarta-feira, dia 17, mais uma sessão dupla de Bye Bye Brasil e A Longa Caminhada. A primeira ocorreu no sábado, dia 13. Os longas do brasileiro Cacá Diegues e do britânico Nicolas Roeg foram reunidos porque ambos partem do tema da viagem para discutir a busca pelo desconhecido e a descoberta do próprio país. 

No filme brasileiro, às 19h, uma trupe de artistas – a caravana Rólidei – percorre as entranhas do Brasil na época da ditadura. Descobre a Transamazônica e a força da TV como fator de integração nacional. Num momento mágico, a magia do grupo mambembe faz nevar sobre o sertão. Considerado um dos melhores filmes de Cacá Diegues, traz as interpretações de José Wilker, Betty Faria e Fábio Jr. E ainda tem a trilha de Chico Buarque. Um clássico.

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A Longa Caminhada/Walkabout, que passa às 21h20, vem da Austrália. O britânico Roeg, que morreu em 23 de novembro do ano passado, foi conceituado diretor de fotografia – na série de Roger Corman adaptada de Edgar Allan Poe, por exemplo. 

No Dicionário de Cinema, Jean Tulard observa que todos os seus filmes adotam a forma de uma iniciação – o gângster que descobre o rock em O Homem Que Caiu na Terra e descortina outro mundo, a investigação sobre a morte em Inverno de Sangue em Veneza, etc. Nenhuma iniciação é mais impressionante que a de A Longa Caminhada.

‘A Longa Caminhada’ mostra irmãos salvos por aborígine Foto: 20th Century Fox

Um pai parte com os filhos pelo deserto. Enlouquece, coloca fogo no carro, suicida-se. A garota e o irmão mais novo vagam pela imensidão e, com certeza, morreriam, se não encontrassem o aborígine. Numa cena que fez sensação na época (1971), David Gulpilil executa a dança do acasalamento para Jenny Agutter. Ela recusa, instintivamente, sem saber direito o que é, e só anos mais tarde, dona de casa e infeliz, além de sexualmente reprimida, dá-se conta de que aquele poderia ter sido um momento de libertação de sua vida.

Em 1980, Randal Kleiser fez A Lagoa Azul, sobre um casal de jovens que descobre a sexualidade na lagoa do título. Se Gulpilil não fosse ‘diferente’ (outra etnia, outra cultura), Jenny teria correspondido? 

Logo em seguida, Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, e O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima, abririam novas fronteiras para o sexo no cinema. A Longa Caminhada foi um precursor. Uma espécie de paraíso perdido (para Jenny), lindamente fotografado. 

 

 

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