Reuters
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Documentarista indicado ao Oscar é morto na Líbia

Cineasta e fotojornalista também era integrante da ONG Human Rights Watch

BBC Brasil,

20 Abril 2011 | 19h20

O cineasta e fotojornalista Tim Hetherington, de cidadania britânica e americana, morreu nesta quarta-feira durante a cobertura da guerra líbia, na cidade de Misrata, um dos principais focos de conflito no país.

A informação foi confirmada pelo Ministério do Exterior da Grã-Bretanha e por Peter Bouckaert, amigo do cineasta e integrante da ONG Human Rights Watch.

Segundo Bouckaert e o governo britânico, outros três fotojornalistas ocidentais ficaram feridos no mesmo ataque de morteiro que vitimou Hetherington: Chris Hondros, colaborador da agência Getty, que está em estado gravíssimo, Guy Martin, da agência Panos, também ferido com gravidade, e o freelancer Michael Brown, que sofreu ferimentos leves.

Hetherington, 41, foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário neste ano pela codireção de Restrepo, que acompanhava um pelotão em combate em áreas perigosas do Afeganistão.

"Ataques indiscriminados"

Misrata, terceira maior cidade da Líbia, tem sido nas últimas semanas palco de intensos confrontos entre rebeldes e as forças do líder Muamar Khadafi, que isolaram a cidade.

Nesta quarta-feira, o hospital da cidade contabilizou seis mortos e 60 feridos nos combates. A maioria das vítimas foi atingida por franco-atiradores.

Um médico disse à correspondente da BBC Orla Guerin que a equipe médica local está exaurida e pediu ajuda internacional.

Na última terça, Hetherington havia postado no Twitter que as forças pró-Khadafi estavam promovendo “ataques indiscriminados” em Misrata.

Segundo o TheNew York Times, a morte do cineasta repercutiu intensamente em muitos círculos, principalmente entre jornalistas, agentes humanitários e vítimas de distintas guerras que Hetherington conheceu ao longo de sua carreira (ele havia coberto conflitos também na Libéria, no Afeganistão e em Darfur, no Sudão).

“(Sua morte) é uma perda pessoal para muitos de nós”, disse Kenneth Roth, diretor-executivo da Human Rights Watch. “Mas é também uma perda devastadora para a comunidade de direitos humanos. Seu trabalho deu visibilidade a muitos dos conflitos esquecidos no mundo.”

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