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Documentários são tema de festival que começa amanhã

É Tudo Verdade chega à 16º edição com 18 filmes brasileiros inéditos e 92 títulos internacionais

Julia Baptista - Estadão.com.br,

30 de março de 2011 | 19h23

De meados da década de 90 para cá, o crescimento da produção de documentários brasileiros esteve ligado ao Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, na medida em que, nesses anos, se consolidou a cultura do documentário no País. O festival, que chega à 16º edição nesta quinta-feira, 31, ganhou corpo e importância, assim como a realização de filmes documentais. Em termos práticos, isso significou o aumento do público desse gênero nas salas de cinema e na televisão. "O avanço do documentário no Brasil é um dos eventos culturais mais importantes da última década e meia", afirma o critico Amir Labaki, 48, com a propriedade de quem fundou e dirige o É Tudo Verdade, um dos mais importantes festivais de documentário do mundo.

 

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Exemplo disso são alguns números que cercam o festival. Se na primeira edição, em 1996, dos filmes exibidos, apenas dois títulos nacionais e um estrangeiro entraram no circuito comercial das salas de cinema, já nos três últimos anos do festival o número de filmes brasileiros que estrearam nas salas saltou para 30, e internacionais, para 20. "Para mim, é evidente que está havendo uma abertura de circuito de exibição do documentário e aumento de um público mais interessado em documentários.", ressalta Amir.

 

 

O longa-metragem que abriu a edição passada do festival, Uma Noite em 67 (2010), de Renato Terra e Ricardo Calil, por exemplo, fez mais de 70 mil espectadores durante período em que ficou em cartaz nas salas de todo Brasil, no ano passado. "É uma excelente média para documentário", diz Amir. Também foram cerca de 70 mil pessoas que assistiram a Simonal: Ninguém Sabe o Duro Que Dei (2009), de Claudio Manoel, Calvito Leal e Micael Langer.

Talvez os últimos três anos tenham acentuado o interesse pela não-ficção, mas a verdade é que no começo dos anos 2000 algumas produções fizeram bilheterias maiores até que a dos exemplos acima. Edifício Master (2002), de Eduardo Coutinho, e Nelson Freire (2003), de João Moreira Salles, foram vistos por mais de 80 mil pessoas cada. É a prova de que sim uma boa história bem contada rende bilheteria.

Por mais recente que a produção documentária possa parecer, ela se confunde com a própria origem da cinematografia nacional. "Do início do cinema brasileiro até hoje, nunca se parou de ter uma produção de documentário", reforça Amir. E a produção mais antiga está também na pauta do festival.

Pela quarta vez, o É Tudo Verdade promove uma retrospectiva de filmes temáticos e históricos brasileiros. Já foi apresentada uma eleição dos dez documentários clássicos brasileiros, produções documentais sobre música e mostra de documentários experimentais. Neste ano, a retrospectiva é de filmes sobre poetas e poesia nacionais, cuja produção teve início na década de 60. "Sempre que a gente vai fazer esse levantamento histórico, em que as cópias estão mais pulverizadas, é sempre mais complicado. Num tema tão particular quanto a poesia você deve imaginar que essa dificuldade se agigantou", explica Amir.

Com base no trabalho da poetisa Ana Cristina César, que fez uma tese de mestrado falando da relação sobre documentários e literatura, foi-se atrás de títulos que abarcassem os exemplares mais representativos sobre o assunto. "Foi bastante complicado. Ainda temos algumas lacunas", conta Amir e acrescenta que "alguns filmes dos quais ouvimos falar e fomos procurar ou não tinham mais cópias disponíveis para exibição ou sequer cópia para a gente assistir". "Em alguns casos driblamos isso, em outros, tivemos de abrir mão mesmo", completa.  O resultado pode ser conferido a partir de sexta-feira, com abertura para o público.

(Atualizado às 19h50)

 

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