Documentários roubam a cena no Recife

O Abril Pró-Rock, o grande festival de música do Recife, dividiu as atenções da cidade com o Cine PE, de sexta até ontem. O festival de cinema atrai um público jovem, especialmente do sexo feminino, conforme apontam as pesquisas. Como os dois eventos acontecem no mesmo local, a Centro de Convenções de Olinda, houve momentos em que o som do festival de música vazou para as salas de cinema.A noite de sexta-feira foi dos documentários - Aboio, de Marília Rocha, e Soy Cuba! - O Mamute Siberiano, de Vicente Ferraz. A de sábado, das ficções - Esses Moços, de José Araripe Jr., e Cerro do Jarau, de Beto Souza. Os documentários estão sendo melhores aqui no Cine PE. Após a comoção provocada pelo de Evaldo Mocarzel, Da Luta ao Luto, de recorte humanista sobre portadores da Síndrome de Down, surgiram dois documentários de caráter mais arqueológico. O de Marília Rocha parte em busca dos aboiadores, vaqueiros que possuem o segredo de um canto ancestral para tanger o gado. O de Vicente Ferraz investiga o mistério do filme de propaganda que o russo Mikhail Kalatozov realizou em Cuba, no começo dos anos 60, celebrando a revolução de Fidel Castro. Soy Cuba! conseguiu o prodígio de desagradar às autoridades cubanas e soviéticas. Virou maldito e praticamente sumiu de circulação. Redescoberto nos a nos 90, o filme foi apadrinhado por Martin Scorsese e Francis Ford Coppola. Relançado, acabou virando cult. As ficções foram mais problemáticas. A de Araripe Jr. estabelece o vínculo entre duas meninas de rua e um velho que foi agredido e ficou desmemoriado numa praça de Salvador. O diretor quer expor flagrantes humanos e sociais da vida na capital baiana. Cria momentos eventualmente interessantes, mas a estrutura é caótica, com personagens que entram e saem sem dizer a que vêm.O filme gaúcho é mais interessante, mas mais difícil. Baseia-se numa lenda, a da Salamanca do Jaraú, com uma personagem emblemática, a Teiniaguá, que dá título a uma das partes que compõem o monumento da literatura gaúcha, O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo. Beto Souza, co-diretor de Netto Perde Sua Alma, fez um filme estilizado, que mistura gêneros e estilos. O diretor trabalha a lenda de forma não realista. *O repórter viajou a convite da organização do festival

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