Documentários nacionais no É Tudo Verdade

Há uma riqueza muito grande no documentário brasileiro, quecontempla a diversidade como forma de refletir este Paíscontinental, tão imenso que não existe um Brasil, mas vários.Chama-se "Revelando os Brasil" um projeto fabuloso do InstitutoMarlin Azul com o MinC, que capacita amadores de todo o País apegarem da câmera para falar deles mesmos, de sua vizinhança edo mundo. A palavra de ordem de revelar os Brasis espelha-senos 19 títulos que integram a seleção da mostra competitivabrasileira. São dez filmes de longa e média-metragem, mais novecurtas. Entre eles Meninas, de Sandra Werneck, diretora de Cazuza, um filme grande (para os padrões brasileiros), com quase 4 milhões deespectadores, e que virou um dos maiores êxitos de bilheteria docinema brasileiro desde a retomada da produção, em meados dosanos 1990. Sandra mudou. Quis voltar ao documentário, gênero noqual ganhou projeção com Guerra dos Meninos, e com um filmepequeno. Fez Meninas, sobre adolescentes grávidas. A diretoraselecionou casos exemplares e descobriu que essas garotas vêm defamílias disfuncionais e apresentam padrões de comportamento ehistórico familiar. Para a diretora, as meninas e seus filhos lançados aomundo formam um bloco que vai levar à guerra dos meninos. Aconsciência social do Brasil passa por esses filmes. Kiko Goifman, documentarista que se projeta no próprio trabalho e fazsempre pesquisa de linguagem, discute um caso de massacre naBaixada Fluminense em Atos dos Homens. Evaldo Mocarzel, em ÀMargem do Concreto, e Toni Venturi, em Dia de Festa, tratamde diferentes aspectos da luta dos sem-teto, abordando o temapolêmico das ocupações urbanas. Deus e o Diabo em Cima daMuralha, de Tocha Alves e Daniel Lieff, reabre a vertente doCarandiru e mostra que o tema ainda não se esgotou. Flávio Frederico volta-se, em Caparaó, para a primeiratentativa de luta armada contra o regime militar, nos anos 1960.O benzedor Aparecido Galdino, que foi enquadrado na Lei deSegurança Nacional pela ditadura, é o personagem central de OProfeta das Águas, de Leopoldo Nunes. E existem osdocumentários que contemplam as artes - Dona Helena, deDainara Tioffoli, sobre a tocadora de viola Helena Meirelles,que morreu no ano passado; Herbert de Perto, de RobertoBerliner e Pedro Bronz, sobre o músico Herbert Viana; Diário deNaná, de Paschoal Samora, que documenta uma viagem dopercussionista Naná Vasconcelos pelo Recôncavo Baiano; e Pixotein Memoriam, de Felipe Briso e Gilberto Topczewski, sobreFernando Ramos da Silva, que interpretou Pixote, no clássico deHector Babenco,. A mesma diversidade anima os curtas, com destaque paratrês - De Glauber para Jirges, de André Ristum, que se baseiana amizade (e na correspondência) entre o pai do diretor e olendário profeta do Cinema Novo; Dormentes, que traz o cinemapoético e experimental de Joel Pizzini; e o fortíssimo Rap, oCanto da Ceilândia, de Adireley Queros, sobre os músicos daperiferia brasilense.Festival É Tudo Verdade. MIS. Av. Europa, 158,3062-197. CCBB. R. Álvares Penteado, 112, 3113-3651. CineSesc. R Augusta, 2.075, 3082-0213. Cinusp. R. do Anfiteatro, 181,3091-3364. Galeria Olido. Av. São João, 473, 3331-7703. ItaúCultural. Av Paulista, 149, 2168-1777. A programação completapode ser vista no site www.etudoverdade.com.br

Agencia Estado,

24 de março de 2006 | 15h52

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