Documentário vai rever a história do samba

O ponto de partida de JodeleLarcher para contar em forma de documentário algumas dashistórias do samba carioca foi reunir seus importantespersonagens, como Nelson Sargento, Dona Ivone Lara, Monarco, BethCarvalho, Xangô da Mangueira, Tia Surica, Seu Jorge e Martinhoda Vila, e muitos outros, em suas próprias localidades oulugares de afinidade no Rio de Janeiro, como a Serrinha,Oswaldo Cruz, nas escolas Mangueira e Estácio de Sá, Vila Isabel, a Lapa e até o botequim Bip-Bip, em Copacabana, "cartão-postaldo Brasil". Foram cerca de 18 horas de filmagens em câmeradigital e película 16 mm e o resultado será visto nodocumentário Sambatown - A Cidade Samba, que ainda está emprocesso de finalização. Um patrocínio de R$ 450 mil é o necessário para a etapafinal do projeto, incentivado pelo Ministério da Cultura eEstado do Rio de Janeiro e realizado pelo diretor Jodele Larchere pelo produtor Philippe Neiva e Tibet Filmes. O contato daprodutora, para interessados, é (0--21) 3874-5898. O filme "é uma viagem pelo samba a partir do Rio",como diz o diretor que explora uma narrativa menos documental emais musical. A história do samba, diga-se, é bem extensa, vemlá da África, passa pela Bahia e chega ao Rio. Contá-la baseadasomente em depoimentos seria um desperdício de material. Dessemodo, o documentário explora mais as músicas e o encontro dosnomes da velha-guarda - Nelson Sargento está presente,Mestre Darcy do Jongo - com os mais novos. Mas é certo quetambém há depoimentos de gente que conhece de perto a históriado samba e do Rio, como os jornalistas e escritores SérgioCabral e Haroldo Costa, assim como os compositores Nei Lopes e oministro da Cultura, Gilberto Gil. No começo da narrativa, a origem do samba. No cais doPorto da Pedra do Sal, os escravos batucavam e dançavam pararemeter a sua origem africana. "A palavra samba vem dosubstantivo africano semba, que significava umbigada ou meneiogracioso que faziam ao dançarem, o que causava muita irritaçãoem seus patrões brancos", como está escrito no texto deapresentação do projeto de Jodele Larcher. "O samba era ditomarginal porque era feito na senzala. Depois foi para o salão",diz Haroldo Costa. Dessa influência nasceu o samba que a gente conhece hoje,que não pode ser considerado apenas ritmo, mas a "músicapopular brasileira. Todo o batuque que se faz no Brasil inteirose chama samba", define Gilberto Gil. Não importam também todasas suas passagens. Para Sérgio Cabral, que pede perdão para asoutras cidades brasileiras, "a capital do samba é o Rio"."Cada escola de samba tem, por baixo, 60 compositores. Nabateria, em média, 200 componentes. Multiplique isso por 46 ou47 que é o número de escolas existentes e veja quanta gente atuano samba, faz samba, sem contar os que ainda cantam e dançam.Não há dúvida nenhuma, a capital do samba é o Rio de Janeiro",pelo raciocínio do jornalista. Mas os depoimentos são curtos e mesclados por músicascantadas nas quadras das escolas - Estácio de Sá, Portela,Mangueira, Império Serrano, Vila Isabel -, em localidades compaisagens da capital carioca ao fundo, dentro de bares - "paraos ingleses, o pub; para os franceses, o café; no Brasil, obotequim é um estado de espírito, a casa do samba porexcelência". Há também o destaque para o ritmista de umabateria de escola de samba, "maestro autodidata que tem de terouvido absoluto", como diz Aloísio Machado, a dança nos passosdidáticos de Carlinhos de Jesus, que mostra como um casal secomporta em uma gafieira. Mas esses são apenas poucos exemplosdo material coletado pela equipe do documentário. A granderiqueza está nas interpretações, no samba cantado e tocado pelosbambas, na música que "está no coração de todos nós, no coraçãodo Brasil e fim de papo", como finaliza Nei Lopes.

Agencia Estado,

30 de janeiro de 2003 | 17h56

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.