Documentário sobre Jerry Robinson estréia na sexta

Na visita do cartunista Jerry Robinson ao Brasil, todas as atenções estão voltadas para Batman e sua experiência na criação de personagens como Robin e os vilões Coringa e Duas Caras. Pouco puderam saber que Jerry trabalhou para o homem-morcego apenas nos 7 primeiros anos das suas histórias na revista Detetive Comics, embrião da corporação "DC Comics". "Apenas no Brasil as pessoas me perguntam mais sobre Batman do que sobre o meu trabalho na charge política", conta o desenhista de 77 anos. Por incrível que possa parecer, dos seus mais de 60 anos de carreira no cartum, mais da metade foi dedicado a esculhambar os políticos americanos e a ideologia anti-comunista. Nos anos 60, auge da Guerra Fria, ele produziu um longa metragem de animação com o apoio de empresas dos dois países. O filme se chamava Estereótipos e criticava os preconceitos com que americanos e russos viam uns aos outros. Jerry foi o fundador da Cartoonist and Writers Sindicate, a primeira agência distribuidora de charges políticas com cartunistas estrangeiros. São 500 profissionais de 50 países, incluindo o Brasil, com 12 desenhistas. Esta é a face de Jerry Robinson que o documentário da produtora carioca Scriptorium quer mostrar. Jerry Robinson: Vida Após Batman, estréia sexta-feira no canal a cabo STV (NET), às 21h30, com reprise no sábado às 10h e domingo às 14h. A produção faz parte da série Profissão Cartunista, que já abordou Will Eisner, o criador de Spirit no ano passado, e tem o brasileiro Henfil como alvo de 2001. Paulo Serran, um dos sócios da Scriptorium, conta que este foi o principal motivo pelo qual Jerry aceitou que os brasileiros fizessem o documentário sobre a sua vida. "O título é uma alusão à sua série de cartuns políticos, que se chamavam Vida de Robinson, que ele fez depois da sua atuação no Batman, e pelo qual ele é menos conhecido no resto do mundo", diz Paulo. Ele, a ex-mulher e sócia, Marisa Furtado, e a equipe de filmagens passaram dois meses nos Estados Unidos entrevistando mestres como Stan Lee (criador do Homem-Aranha e X-Men) e Jules Feiffer (ganhador do Pulitzer de 1964 por cartum político), e completando a extensa pesquisa sobre a obra do autor mostrado pelo documentário. "De todo o material que pesquisamos sobre Jerry, foi tirado uma cópia para o documentário e outra para ele próprio, pois nunca alguém tinha feito uma organização do trabalho dele e Jerry queria guardar este material para sua coleção pessoal", conta Marisa Furtado. As filmagens foram a oportunidade para rever a obra do cartunista e guardar os registros da sua trajetória. "Todo fã de quadrinhos sonha com um museu onde toda a história desta arte possa ser pesquisada. Também é isso que mais me motiva a fazer uma apuração criteriosa, o fato de outros pesquisadores poderem usar como base o meu trabalho", acredita Marisa.Diferente do trabalho com Will Eisner, com três episódios de uma hora de duração cada, Jerry Robinson foi retratado na uma hora e meia que será exibida na Rede Sesc/Senac de Televisão. Robson Moreira, Diretor de Programação do canal diz que o formato foi mudado para entrar melhor na grade de programação. "Com um programa inteiro sem seqüências, ele fica mais maleável para exibição", diz Robson. O pessoal da Scriptorium também garante que este é o melhor formato para retratar Jerry Robinson. "A vida dele é uma mistura coesa de todas as suas atividades tão diferentes, não havia como dividir a sua obra", completa Marisa.Também foram entrevistados figurões brasileiros que mantém contato com Jerry Robinson através do seu "sindicato". Os irmãos Paulo e Chico Caruso, Ziraldo e Ique, entre outros, deram seus depoimentos sobre o cartunista americano e sua colaboração para a charge política mundial. Eles têm seus desenhos distribuídos para o resto do mundo através do Cartoonists and Writers Sindicate. Entre os anos 74 e 75 o brasileiro Henfil também teve seus desenhos distribuídos por outro sindicato americano, o United Press Sindicate. Jerry diz que conheceu o seu trabalho nos EUA, elogia Henfil mas se surpreende em saber que ele já tenha falecido. Em comum eles terão um episódio de Profissão Cartunista, a vida do irmão do Betinho que a Scriptorium planeja retratar no próximo ano. "Já estamos começando a pensar na pesquisas e nas entrevistas mas ainda não fechamos nem o lugar onde ele vai ser exibido", desconversa Paulo Serran.

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