Documentário revela perfil de advogado de terroristas

Baseado em diversas entrevistas, 'O Advogado do Terror' traz retrato do polêmico advogado Jacques Vergès

Neusa Barbosa, da Reuters,

08 de julho de 2010 | 10h30

Ao longo da vida, o advogado francês Jacques Vergès colecionou clientes que vários colegas recusariam - como o terrorista internacional Carlos, o Chacal, o nazista Klaus Barbie e o ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic. O retrato deste personagem polêmico está no documentário O Advogado do Terror, que estréia em São Paulo e Rio de Janeiro nesta sexta-feira, 11.  Veja também:Trailer de 'O Advogado do Terror' Dirigido por Barbet Schroeder (de O Reverso da Fortuna), o filme venceu o prêmio César, o principal da França, em 2008, na categoria melhor documentário. No ano passado, também fez parte da seleção Um Certain Regard, a principal mostra paralela do Festival de Cannes. Baseado em diversas entrevistas, inclusive com o próprio Vergès, que tem 84 anos, O Advogado do Terror evita emitir julgamentos sobre seu protagonista. Filho de uma professora vietnamita e de um médico da Ilha de Reunião (região no oceano Índico ainda subordinada à França), o advogado entrou para a política no final dos anos 1950. Em 1957, se tornou defensor de Djamila Bouhared, jovem que acabava de ser condenada à morte por realizar atentados na Argélia contra os colonizadores franceses. Vergès não só salvou sua vida, e de outros militantes argelinos, como se casou com ela. Marido de uma heroína nacional argelina, o advogado ficou em sua sombra. Limitado a defender apenas casos de divórcio naquele país, acabou indo embora. Aproveitando-se de sua fama pela atuação na causa argelina, encontrou outros clientes fora dali, palestinos, cambojanos, alemães, boa parte deles envolvidos em atos de terrorismo. De 1970 a 1978, não se sabe ao certo onde ele andou. O próprio Vergès evita confirmar se esteve mesmo no Camboja - onde era amigo do ditador Pol Pot -, na China ou no Oriente Médio. Articulado e bem-falante, Vergès não é figura simples de confrontar - e o diretor Barbet Schroeder, aliás, não tenta isso em nenhuma cena. Seu projeto é acumular depoimentos, intercalando-os entre longas conversas com o próprio advogado. Schroeder parece querer deixar o julgamento do personagem para os espectadores. Entretanto, sem contar com nenhuma narração e com um uso bastante econômico de imagens de arquivo, alguns espectadores poderão ter dificuldade em se posicionar diante de tantas informações. O filme oferece, em todo caso, um rico painel, não só de uma personalidade controvertida, como de vários movimentos políticos clandestinos dos séculos 20 e 21.

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