Documentário revela lado profissional do surfe

O documentário Billabong Odyssey, de Philip Boston, mostra um grupo de surfistas que se deslocam pelos mares de meio mundo em busca, não mais da onda perfeita, mas da onda mais alta. Como em outros filmes do gênero, também Billabong Odyssey tem nas cenas de mar seus trunfos mais fortes. As técnicas de filmagem do surfe vem se tornando cada vez mais sofisticadas, desde o pioneiro Endless Summer, de 1966. Enfim, cada vez mais estas cenas pintam na tela de forma realista, com tomadas a partir de helicópteros, ou ao nível da água. O auge é a competição em Jaws, no Havaí, vencida por Mike Parks, que superou dois brasileiros, Eraldo Gueiros e Carlos Burle, na reta final. Há um deslocamento perceptível entre este e outros filmes de surfe, como os Endless Summer 1 e 2 e também o brasileiro Surf Adventures. Estes parecem mais românticos, com a busca da onda perfeita mesclando-se a um vago culto à natureza e ao complexo de Peter Pan - em Surf Adventures, um garoto diz tudo o que há para saber logo no início: "Aqui é a Terra do Nunca, você pode ter 70 anos e vai ter sempre 10". Em Billabong Odyssey, existe ainda um pouco desse papo. Mas nota-se que a atividade se deslocou para algo mais profissional, mais conscientemente associado à publicidade e ao dinheiro. Os desafios são maiores, o risco crescente. Lucros idem. Mas sente-se que a aura se perde. Acabou o verão, acabaram-se as férias. Agora é trabalho.

Agencia Estado,

01 de outubro de 2004 | 11h01

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