Kino Lorber
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Documentário revela a arma secreta de Stanley Kubrick

'Filmworker' acompanha a trajetória do ator Leon Vitali, que trabalhava 16 horas por dia ao lado do exigente diretor

Ann Hornaday, WASHINGTON POST

02 Junho 2018 | 16h28

No início dos anos 1970, o ator britânico Leon Vitali havia enveredado por uma promissora carreira nos palcos e na TV, quando viu o filme que mudaria sua vida. “No cinema, assistindo a Laranja Mecânica, disse para um companheiro: ‘Quero trabalhar para esse homem’.”

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“Esse homem” era o diretor norte-americano Stanley Kubrick (1928-1999). E, alguns anos depois, o sonho de Vitali se tornaria realidade, quando foi escalado para o elenco do drama de Kubrick Barry Lyndon. Vitali mergulhou no ambiente de Kubrick, aprendendo sobre direção de arte, de fotografia e vestuário. Não era só filmar belas imagens, lembra Vitali em Filmworker (sem previsão de estreia no Brasil), documentário sobre sua carreira. “Era fazer cinema.”

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Leon Vitali emerge como uma figura enigmática em Filmworker, no qual um sujeito de 69 anos reflete sobre sua devoção a um Kubrick notoriamente exigente, cujo padrão de perfeccionismo Vitali executou com lealdade inquestionável. Desde trabalhar como diretor de elenco - foi ele que descobriu e treinou o ator mirim Danny Lloyd em O Iluminado - a supervisionar incontáveis restaurações e traduções da obra de Kubrick, Vitali passou a ter um papel abrangente no mundo de um cineasta que ainda ocupa um status divino no firmamento cinematográfico.

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Passando 16 horas por dia ao lado de Kubrick, Vitali ainda conseguiu se casar e ter filhos, que são entrevistados em Filmworker. Mas o documentarista Tony Zierra não mergulha profundamente na vida pessoal de Vitali, deixando algumas perguntas sem resposta sobre o que deve ter sido o custo psicológico de entregar sua vida à visão artística de outra pessoa.

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Então, é apenas o senso implícito de vocação que impulsiona Filmworker. Além do que alguns vêm como uma abnegação quase patológica, torna-se claro que a lealdade de Vitali recai menos sobre o Grande Homem do que no empreendimento criativo maior ao qual ele está ligado, instintivamente.

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Filmworker é um tributo aos artesãos anônimos, assistentes, funcionários da iluminação e eletricistas e assistentes pessoais cujas contribuições indeléveis tornam os filmes não apenas possíveis, mas também mágicos. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

 

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