Documentário revê trajetória de João Carlos Martins

Após ter sido visto por cerca de 350 mil pessoas na Europa, onde já conquistou prêmios como o Fipa d´Or, em Biarritz, França, estréia hoje em São Paulo o documentário A Paixão Segundo Martins, relato da trajetória do pianista João Carlos Martins assinado pela alemã Irene Langemann. A carreira e a vida de Martins são um emaranhado de histórias. A primeira, é a do menino prodígio que invade os Estados Unidos, arrebata o público, gera polêmica com sua interpretação de Bach e, de uma hora para a outra, desaparece. Há ainda os problemas físicos - uma série de acidentes, ao longo de três décadas, faz com que ele eventualmente perca o movimento das duas mãos, tendo assim de abandonar o piano. E, fora dos palcos, um outro lado da trajetória de Martins, que foi diretor de banco, empresário de boxe e se envolveu com o escândalo do caso Pau-Brasil, quando foi acusado de arrecadar ilicitamente dinheiro para a campanha de Paulo Maluf. "É uma história fascinante", disse Irene quando esteve no País para vender o filme a distribuidores nacionais. "Quando li um artigo sobre ele em uma revista alemã, logo pensei: seria interessante narrar esta história." O filme foi rodado em 2003 e tem duas linhas principais de narrativa, como explica Irene. "Enquanto fazíamos o filme, Martins começou a perder os movimentos da mão esquerda, com a qual continuava a tocar. O filme, assim, ao mesmo tempo em que relembra a sua história desde a infância até hoje, também o flagra frente a um novo desafio, que o fez, claro, relembrar tudo pelo que já havia passado."

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